Justiça sorteia júri de caso Eldorado

A juíza Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, sorteou nesta segunda-feira os 21 jurados que irão julgar os 150 policiais militares envolvidos na morte de 19 trabalhadores rurais sem terra em abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado.O episódio completa hoje cinco anos sem que os acusados tenham sentado no banco dos réus. Em agosto de 1999, três oficiais da Polícia Militar acusados de comandar a matança dos sem-terra foram absolvidos numa tumultuada sessão anulada em março do ano passado pelo TJ paraense.O novo julgamento está previsto para maio, mas a defesa dos acusados informou que irá ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com "efeito suspensivo" para impedir a instalação do júri.O advogado Roberto Lauria, um dos defensores dos três oficiais - o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Lameira -, alega que o TJ ainda não julgou dois recursos contra sua decisão de anular o primeiro julgamento."A juíza foi precipitada ao realizar este sorteio dos jurados. Duvido muito que em maio o julgamento seja retomado", acrescentou Lauria.Eva Coelho disse que não comentaria a posição da defesa dos acusados, mas admitiu que a sessão de instalação do júri poderá não ocorrer em maio. "Se o STF acolher o pedido da defesa teremos de marcar outra data".O desembargador Otávio Maciel rebateu a acusação de lentidão do processo. "A imprensa nacional chegou a afirmar que os acusados só iriam a júri em 2010, mas nós conseguimos dar uma boa acelerada", resumiu Maciel.Ele garantiu que até maio todas as pendências que ainda pairam sobre o processo já terão sido julgadas.O promotor Marco Aurélio Nascimento, responsável pela acusação aos 150 militares, após a escolha dos jurados pediu que a imprensa não procurasse as pessoas sorteadas. "Temos que evitar pressões e constrangimentos para elas".O MST programou diversas manifestações para esta terça-feira em Belém, protestando contra a "impunidade dos criminosos", que hoje completa seu quinto aniversário. A sede do Incra e prédios do governo estadual estão protegidos por policiais militares.

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