Justiça suspende leilão de animais silvestres

Uma liminar impediu as batidas domartelo naquele que seria o primeiro leilão de animaissilvestres exóticos da América Latina. O evento não ocorreu porque uma liminar do MinistérioPúblico Estadual suspendeu a venda dos 143 animais excedentes daFundação Parque Zoológico de São Paulo. Na segunda-feira, o departamento jurídico do Zoo entrarácom um recurso contra as alegações da juíza Cynthia Thomé, da8.ª Vara da Fazenda Pública. Os organizadores esperam que emmenos de um mês seja realizado o leilão, que estava marcado para às 9h45 dehoje. O diretor da Fundação,Paulo Magalhães Bressan, contesta as acusações de que os animaisseriam entregues a pessoas despreparadas e que corriam o riscode maus tratos. "São animais quentes, com nota fiscal e o Ibamapoderá fazer a fiscalização", comenta. "É democrático. Todosindistintamente podem se apresentar para comprar os animais",disse, enquanto dava explicações para cerca de 100 interessadosque compareceram ao Zoo. Entre eles, proprietários de zoológicos criadores e particulares de diversos Estados e até mesmo umcomprador do Chile. O edital do processo fazia restrição somenteà participação de circos. A frustração dos participantes transformou-se emreclamações contra a ação da Justiça e a até mesmo contra asOrganizações Não Governamentais (ONGs). "O Ibama autorizou.Acredito que seja manobra de alguma ONG que se dizprotecionista", reclama Hans Furrer, de 55 anos, proprietáriode uma zoológico com 1.400 animais em Itatiba, interior de SãoPaulo. O advogado e fazendeiro de Goiás, Fernando Peña, de 35anos, disse que já aguardava a suspensão do leilão. Acompanhadoda filha, Rafaela, de 9 anos, desejava comprar uma suricata. "Éum dos pop-stars do Discovery Chanel." A fundação recebeu 105 inscrições, inclusive de gruposcomo Beto Carreiro. O chileno Francisco Rebel, continuaráreservando o orçamento de R$ 43 mil para a compra de algunsexemplares. "Voltarei outro dia porque são bons animais." A Fundação esperava arrecadar, no mínimo, R$ 250 mil comas vendas e economizar R$ 500 mil por ano com a manutenção dosbichos. "Os leilões seriam uma possível solução para problemasde vários zoológicos enfrentam no Brasil", afirma Bressan.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2002 | 21h59

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