Justiça vai expedir mandado de prisão contra Igor

Culpado. O órgão especial do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo condenou nesta quarta-feira por unanimidade de votos (23 a zero) o promotor Igor Ferreira da Silva, de 34 anos, a 16 anos e 4 meses de prisão, pelo assassinato de sua mulher, a advogada Patrícia Aggio Longo, de 28.O TJ decretou ainda a perda do cargo público do réu e vai expedir nesta quinta-feira mandado de prisão contra o promotor, que não compareceu ao julgamento.Em cinco horas e meia de julgamento, os desembargadores, após ouvirem defesa e acusação, consideraram que a versão apresentada pelo réu, que afirma ter sido vítima de um assalto, não é plausível.A sessão foi iniciada com a leitura do relatório (resumo do caso). O relator, desembargador José Osório, passou quase uma hora detalhando todas as provas produzidas no processo, que se arrastou por quase três anos.Patrícia foi morta com dois tiros no rosto, na madrugada de 4 de junho de 1998, em Atibaia, no interior do Estado.José Osório iniciou seu voto afirmando que a ação movida pela Procuradoria-Geral de Justiça é procedente. "Todos os índícios levam à certeza de que o acusado cometeu o crime", afirmou o desembargador.Segundo ele, todas as explicações dadas por Igor na tentativa de derrubar os indícios ficaram isoladas. O relator - elogiado por outros desembargadores durante a sessão -, apontou duas provas incontestáveis.A primeira delas seriam as duas cápsulas encontradas na caminhonete do promotor. Um exame do Instituto de Criminalística (IC) atestou que a arma que deflagrou as duas cápsulas é a mesma que disparou outros 43 estojos encontrados pela polícia na casa do promotor.A segunda prova é a sucessão de contradições e inverdades ditas por Igor, segundo Osório, sobre as armas que possuiu. O promotor disse à polícia que teve uma pistola calibre 380 - a mesma que matou Patrícia -, mas que a vendeu por intermédio de seu pai para uma pessoa que ele não sabe informar quem é.Osório também se referiu ao episódio em que Igor e seus irmãos foram acusados de tentar subornar um preso de Guarulhos para que assumisse o crime. "A prova colhida pesa muito contra o acusado", ressaltou. A descoberta do suposto esquema motivou a prisão preventiva de Igor por 43 dias em 1998.O revisor do processo, desembargador Menezes Gomes, o segundo a votar, teve entendimento idêntico ao do relator. "A prova é clara. Foi o réu que efetuou os disparos."Igor permanecerá preso no 13º DP, na Casa Verde, onde estão detidas pessoas com nível universitário.

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