Kassab assume e promete que não haverá mudanças

O pefelista Gilberto Kassab, de 45 anos, assumiu a Prefeitura de São Paulo fazendo questão de escancarar seu estilo discreto diante da insistência da imprensa em descobrir suas primeiras medidas administrativas.?Os jornalistas vão se decepcionar. Não haverá mudanças na gestão da cidade?, confidencia a poucos amigos. ?Serra continuará sendo ouvido.?Avesso ao estilo personalista, Kassab ganhou espaço sendo recatado. Ele passa a impressão de ser alguém que trabalha nos bastidores para juntar forças em torno dos planos da equipe da qual faz parte. Como novo prefeito de São Paulo, tem bons motivos para não mudar.Caso Serra seja eleito governador, importantes projetos, como o da Cracolândia, continuarão tendo recursos do Estado. E novas parcerias ainda podem vir. Arrumar briga com o atual prefeito seria um erro grosseiro. Kassab foi indicado pelo PFL para o cargo de vice-prefeito como reconhecimento dos trabalhos que fez longe de holofotes para fortalecer o partido em São Paulo.Sob sua liderança, o partido instalou diretórios regionais em mais de 600 cidades do Estado e assim elegeu mais de 100 prefeitos e cerca de 1.300 vereadores. Caso consiga terminar o mandato bem avaliado, Kassab terá condições de disputar eleições majoritárias.Vitória tucanaCaso José Serra seja eleito governador do Estado, ele terá ascendência sobre Kassab, até 2008, quando encerra o mandato municipal. Nas conversas que já teve com Serra, o então vice-prefeito vinha deixando claro que deseja a sua participação durante todo o resto do mandato.Kassab diz a interlocutores que, depois das eleições, no caso da vitória de Serra, seu mandato respeitará as diretrizes da atual administração. Ele argumenta que foi eleito para desenvolver o projeto que está sendo tocado pela atual gestão. Alega também que o programa está sendo aprovado pela população e que não há motivos para mudá-lo. Kassab não pretende impor uma marca pessoal. Se Serra virar governador, permanecerá dando opinião na formação da equipe e atuando como parceiro direto do novo prefeito. Assim como Kassab atuará como uma espécie de primeiro-secretário de Serra em um eventual governo tucano.TradiçãoSeguindo a tradição do PFL de produzir vices que não causam problema, como Marco Maciel (dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso) e Geraldo Alckmin (duas gestões de Mário Covas), Kassab faz questão de respeitar a orientação e alianças do partido e acredita que aglutina forças em torno de um projeto comum.A sintonia e divisão de poder com Serra podem trazer dividendos a Kassab e ao PFL, partido que ainda se esforça para ganhar popularidade em São Paulo. Com Serra a seu lado, Kassab pode encerrar o mandato com bom aporte de recursos do governo estadual e ter crédito com Serra, que deve concorrer à Presidência em 2010.Perfil de KassabDescendente de árabes e italianos, Kassab tem seis irmãos homens e uma mulher. Todos os homens cursaram Engenharia e Economia da Universidade de São Paulo; já a irmã, Marcia, é formada em pedagogia pela PUC.Kassab está longe de ser tímido. Amigos o definem como um trator, mas que circula sem fazer estragos. ?Não gosto de conquistar espaço na base da cotovelada?, diz. Workaholic e devorador de livros técnicos, não ostenta gostos refinados. Apesar da origem urbana, não se intimida em confessar o gosto pela música sertaneja. Gosta de pratos simples, como comida árabe e italiana, divide seu tempo de lazer com a família.Em casa, por sinal, os planos do novo prefeito recebem apoio. ?Ele é fiel e correto. Por isso é natural que continue o programa que foi implementado pelo Serra?, diz a irmã Márcia.

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