Kassab chama Serra de ''maestro'' e fala de 2ª fase ''do mesmo governo''

Prefeito de São Paulo usou fábulas para criticar adversários e imitou estilo de Lula, em discurso que não empolgou

, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

A posse de Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura de São Paulo, ontem, teve a marca de sua gestão anterior: formal e continuísta. Para quem esperava um discurso de mudança ao estilo Barack Obama, uma vez que o prefeito virou o grande nome para o futuro dos Democratas no País, a decepção foi flagrante - Kassab voltou a se colocar como braço direito do governador José Serra (PSDB).Ao discursar para cerca de mil pessoas, ele repetiu citações antigas, como a prioridade para a saúde e para a educação, e não empolgou. Mas destacou que o transporte terá uma atenção especial, ao contrário do que havia dito em entrevista ao Estado. A ênfase ficou estampada em banner montado no palco, onde aparecia uma enorme foto de trem do Metrô - o transporte é prioridade absoluta para Serra."Hoje damos início à segunda fase de um governo que começou quando o nosso estimado governador José Serra tomou posse, há exatos quatro anos, neste mesmo local. Neste segundo mandato, seremos o mesmo governo, assentaremos nossa ação sob os mesmos pilares de moralidade e eficiência", falou Kassab.No melhor estilo lulista, com metáfora futebolística, comparou Pelé a Serra. Disse que sua geração "nasceu sob o signo de um Brasil campeão mundial de futebol", e em 1962, sem Pelé, a equipe que já havia aprendido a jogar "afinada como uma orquestra", obteve sucesso sem o "maestro". Até o fabulista francês Jean de la Fontaine foi mencionado, quando Kassab se referiu à crise internacional. O prefeito disse que trabalhará como formiga e os adversários (em citação indireta ao PT) agiram como cigarras.Antes disso, o prefeito compareceu à posse dos 55 vereadores na Câmara. Eleito para um inédito terceiro mandato na presidência do Legislativo municipal, Antonio Carlos Rodrigues (PR), de 58 anos, afirmou que a indicação de cargos na gestão Kassab é normal e necessária para a administração da capital paulista. DIEGO ZANCHETTA, EDUARDO REINA, RODRIGO BRANCATELLI e SILVIA AMORIM

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