Kassab cobra do Corinthians devolução de rua

Clube utiliza área cedida há 13 anos como estacionamento

Felipe Grandin e Marcel Rizzo, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

Durante visita para cumprimentar dirigentes do Corinthians pela conquista da Copa do Brasil, vencida há 18 dias, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aproveitou para cobrar ontem a devolução de parte de uma via pública cedida ao clube há 13 anos. Hoje, os sócios usam o terreno de 18,4 mil metros quadrados, ao longo da Avenida Elisabeth de Robiano, no Tatuapé, como estacionamento. A rua está isolada por grades, mas é possível ver a faixa de pedestres. O presidente do clube, Andres Sanches, disse que não vai devolver a área. Kassab foi ao clube acompanhado de dois secretários - Cláudio Lembo (Negócios Jurídicos) e Orlando Almeida (Controle Urbano). Lembo cuida dos processos judiciais da Prefeitura e Almeida é responsável pela fiscalização de imóveis. "Foi uma visita de confraternização", garantiu o prefeito. "Mas aproveitamos para falar de alguns outros problemas que estamos tentando resolver da melhor maneira." No mês passado, Lembo autorizou a Prefeitura a entrar com ação na Justiça para retomar o terreno e cobrar indenização. A decisão foi publicada no Diário Oficial, mas, segundo a Secretaria dos Negócios Jurídicos, a medida ainda é estudada. A área foi cedida ao clube em 1996 por lei de autoria do ex-prefeito Paulo Maluf. A legislação concede o terreno por 99 anos, mas há brecha no texto que permite a sua retomada. O Corinthians é obrigado a devolver a área se a Prefeitura decidir reintegrar o espaço à malha viária. A principal hipótese, não confirmada pela Prefeitura, é a de que o espaço seja usado na ampliação da Marginal do Tietê. Questionado se haveria desapropriação de parte do São Jorge, o secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce, deu resposta dúbia. "O Estado só vai usar áreas públicas." A Dersa, responsável pela obra, disse que "não há definição sobre o assunto". Em resposta, o presidente do clube afirmou que o terreno foi obtido corretamente e, portanto, não haveria motivo para entregá-lo. "Não vamos devolver a rua", afirmou Sanches. De acordo com ele, a área foi uma compensação pela desapropriação de uma parte do Parque São Jorge para a construção da Marginal do Tietê. "A Prefeitura nos cedeu porque levou parte do terreno do clube que ia até o Rio Tietê", disse Sanches. "O que precisamos é regularizar essa situação toda", afirmou. Sanches admite mesmo que há várias irregularidades na documentação dos imóveis construídos. "Todos os corintianos sabem que, em outras administrações, algumas coisas foram construídas de qualquer jeito, sem pedir (à Prefeitura)." O dirigente disse que o prédio da administração, construído na gestão de Alberto Dualib no fim dos anos 1990, não tem Habite-se. Outro prédio, onde funciona o restaurante, também não teria autorização da Prefeitura. No prédio, sem Habite-se, Kassab se reuniu com Sanches por volta de meio-dia. Em seguida, juntaram-se para um almoço numa das mesas do restaurante, sem licença municipal.

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