Kassab completa 100 dias cercado de técnicos, para poder fazer política

Nomes vindos do segundo escalão de antigas administrações tucanas controlam as principais secretarias

Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

Nos primeiros cem dias do segundo mandato, que se completam hoje, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), deixou claro que não tem projetos inovadores como a Lei Cidade Limpa. O sucesso depende agora do desempenho de novos gestores com a missão de tirar do papel projetos antigos. Com um quadro mais técnico do que político, o núcleo duro do governo é formado por nomes desconhecidos, sem histórico partidário, vindos do segundo escalão das administrações tucanas."Vejo semelhanças com a gestão do Olavo Setúbal. As novidades não são prioridades porque o prefeito é racional, respeita a instituição. O esforço recai na escolha dos técnicos que vão tirar os planos do papel", afirma o secretário de Negócios Jurídicos, Claudio Lembo, apontado como conselheiro pessoal do prefeito - o que ele nega. Na equipe de confiança de Gilberto Kassab, Alexandre Schneider, secretário de Educação, se consolidou como peça-chave. O tucano já foi assessor na Secretaria da Segurança do governo Mário Covas e adjunto do Planejamento no governo Serra. Ele conseguiu nos últimos dois anos a credencial de bom gestor ao concluir em 30 meses a construção da parte pedagógica de 24 CEUs, bandeiras de campanha do prefeito.Os problemas na rede de ensino, porém, são muitos. Passados dois meses desde o início do ano letivo nas escolas, a Prefeitura não concluiu a entrega dos uniformes escolares, o que deve ocorrer até o fim do mês. Isso sem contar os problemas, herdados do Planejamento, com a licitação das merendas escolares. Schneider também recebeu nesta gestão a tarefa de dar conta da mais cara promessa do segundo mandato: zerar a demanda por 90 mil vagas nas creches. Com perfil semelhante ao do secretário de Educação, estão em alta no governo Manuelito Magalhães, titular do Planejamento e adjunto até o ano passado, e Wagner Aloísio, que somente neste ano virou chefe das Finanças. Amigo pessoal do prefeito, com quem dividiu os bancos escolares na turma de 1981 da Escola Politécnica, o engenheiro Miguel Bucalen, de 48 anos, largou a vida acadêmica atendendo a um pedido pessoal de Kassab na gestão José Serra. Como Schneider e Magalhães, durante o primeiro mandato Bucalen atuou no segundo escalão do Planejamento. Na nova pasta de Desenvolvimento Urbano, ele tem a missão de promover o ordenamento do crescimento da cidade por meio de novas operações urbanas, mantendo sintonia fina com as obras milionárias da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).O secretário municipal da Saúde, Januário Montone, que veio da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde durante a administração Serra, é outro que sintetiza qualidades valorizadas pelo prefeito. É o homem que sabe dizer não. Como secretário de Gestão, conseguiu adotar a terceirização das AMAs, da merenda escolar e do leite, apesar dos questionamentos judiciais.Na pasta da Saúde, Montone, por exemplo, já chegou a ouvir impassível, por sete horas, as reclamações de um cacique político que lhe pedia prioridade no atendimento aos cabos eleitorais na rede pública. A firmeza em negativas, com base em justificativas técnicas, permite ao prefeito continuar a dizer sim para os aliados, mesmo que a promessa não seja posteriormente cumprida, por decisão dos secretários.FUTUROQuando se fala da sucessão de Kassab, outro nome surge. Os secretários de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, e dos Esportes, Walter Feldman, tucanos que no primeiro mandato tinham posição de destaque e eram apontados como "herdeiros políticos", perderam espaço justamente por se lançarem a voos políticos mais altos antes do tempo. Titular das pastas de Serviços e Transportes, com R$ 5 bilhões em contratos para gerenciar, incluindo as concessões da coleta do lixo e do transporte público, Alexandre de Moraes, ex-presidente da Febem e promotor, é o nome da vez.Considerado uma das novas caras do DEM e inflado a candidato futuro, Moraes tem evitado a superexposição, apesar do enorme poder que adquiriu. Ganhou destaque ao enfrentar os problemas de trânsito com medidas polêmicas, como a restrição aos caminhões. Antes de tentar se cacifar, porém, terá a missão de construir 66 km de corredores de ônibus e assegurar R$ 1 bilhão para o Metrô - além de manter até o fim do ano a tarifa dos ônibus em R$ 2,30.

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