Kassab endossou pelo DEM chapa com Álvaro Dias

Após ter dado aval à escolha, prefeito teve de pedir socorro a Luiz Carlos Santos e a FHC para apagar incêndio que ele próprio criou

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2010 | 00h00

Na reta final da tensa negociação para a escolha do vice na chapa do tucano José Serra à Presidência, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, teve a missão de apagar um incêndio que ele próprio ajudou a criar. Foi Kassab o mais alto integrante do DEM que concordou, na semana passada, com a chapa puro-sangue tucana que tinha Álvaro Dias de vice.

Na quarta-feira, dia 24, Kassab foi consultado por Serra sobre a opção do senador paranaense como vice e não colocou objeções. O prefeito até avisou que tentaria articular a coesão dentro de seu partido. Kassab adiantou ainda que entre as lideranças paulistas da legenda não haveria nenhum enfrentamento por conta dessa opção. Prometeu também conversar com a base governista no Congresso Nacional sobre a qual mantém influência ? pelo menos 20 deputados federais seguem hoje orientações do chefe do Executivo paulistano.

No mesmo dia, à noite, o senador José Agripino Maia (DEM-RN), procurado pelo staff da campanha do tucano, também avaliou que o político paranaense seria uma boa opção e poderia conquistar aceitação dentro do DEM. A partir de então o comando de campanha de Serra considerou o caminho livre para a composição do presidenciável tucano com o senador do Paraná. Mas não foi o que aconteceu.

Animosidade. A consulta de Serra feita aos dois caciques democratas mais alinhados ao seu projeto de governo enfureceu outros líderes nacionais do DEM, como o presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), e o ex-senador Jorge Bornhausen (SC). A animosidade explodiu quando veio a notícia, no fim de semana, de que o irmão de Álvaro Dias seria candidato ao governo do Paraná e faria palanque para a petista Dilma Rousseff, principal adversária de Serra na corrida presidencial.

Na tentativa de se mostrar conciliador na situação, o prefeito paulistano entrou em cena. Passou a dizer aos demais líderes que o partido não ficaria sem um vice e ele tentaria contornar o problema com o tucanato. Mas, desgastado com outros caciques do partido que sabiam de seu apoio dado a Alvaro Dias sem consulta aos demais líderes, Kassab acabou tendo de pedir socorro ao ex-governador Luiz Carlos Santos e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Na reunião de Brasília na terça-feira, quando foi definido o deputado Índio da Costa (DEM-RJ) como vice, Kassab ouviu indiretas de alguns caciques de seu partido e deu pouca opinião sobre a escolha final do candidato. "Ninguém aqui quer ser amante do PSDB, como até alguns do partido queriam. Queremos ser aliados", afirmou um líder ligado à família Maia.

A candidatura de Índio fortaleceu o segmento democrata alinhado com a família Maia, que hoje disputa espaço dentro do partido com a cúpula kassabista vinculada a Serra. "O Kassab apanhou muito dentro do DEM nessa história toda. Ficou mal para ele, que poderia ter até escolhido um vice mais próximo dele", afirmou ontem um líder baiano do DEM que estava na reunião do partido em Brasília.

Sem consulta. No inicio da noite de ontem, o prefeito de São Paulo, questionado sobre o assunto, afirmou que está fora da campanha eleitoral. "Não estou participando de campanha nenhuma. Só participei do processo (de escolha do vice na chapa presidencial) na reta final agora", afirmou Kassab. Secretário de Assuntos Jurídicos da prefeitura e liderança paulista do DEM, o ex-governador Claudio Lembo garantiu não ter sido consultado sobre a escolha de Álvaro Dias. "Fiquei sabendo pelos jornais", afirmou.

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