Kassab estuda demolir prédio perto da cabeceira

Aeronáutica, porém, afirma que edifício não interfere nas operações

O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2024 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) afirmou ontem, no programa Roda Vida, da TV Cultura, que pediu às Secretarias da Habitação e das Subprefeituras um estudo para demolir o prédio do empresário Oscar Maroni, que fica a 600 metros da cabeceira da pista do Aeroporto de Congonhas. A Aeronáutica, porém, afirma que a construção não interfere em nada nos pousos e decolagens. "Desde o início, a cidade estranhou a altura autorizada", afirmou Kassab, que, questionado sobre se voaria pelo aeroporto, respondeu: "Eu confio na engenharia brasileira e acredito que haverá solução para trazer segurança ao aeroporto." Segundo o subprefeito da Vila Mariana, Fábio Lepique, a obra do Oscar?s Hotel (nome do edifício de quase 47 metros e 11 andares) foi multada e embargada várias vezes, mas sempre recorreu à Justiça. A autuação da subprefeitura, no entanto, nunca foi motivada pelo fato de o prédio estar próximo da rota de Congonhas, e sim por causa das irregularidades da construção. Em 2002, houve o primeiro embargo, por causa da construção de 254 m² adicionais ao projeto aprovado. Da última vez, havia 750 m² irregulares e a edificação foi embargada outra vez. No mês passado, porém, os proprietários deram entrada com agravo de instrumento na Justiça, com efeito retroativo. A Prefeitura vai recorrer. O caso foi parar no Ministério Público Estadual, que irá ouvir a agente de vistoria Maria Angélica Tercitano e o então supervisor de Uso e Ocupação do Solo da Subprefeitura da Vila Mariana, Jorge Luiz Monastério Telles Ferreira, responsável pela fiscalização do prédio. AERONÁUTICA Segundo oficiais do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), o Oscar?s Hotel não interfere no ângulo de pousos e decolagens. De acordo com eles, na hipótese de o edifício estar na mesma altitude do aeroporto - 860 metros em relação ao nível do mar -, os aviões passariam 20 metros acima da topo do prédio. O cálculo feito pelos oficiais é que, a cada 30 metros de distância da pista, a aeronave sobe um metro. Os oficiais disseram que o ângulo de pouso não é alterado desde a década de 90. Portanto, o ponto de toque no solo permanece igual desde então, dando um espaço extra para frenagem de pelo menos 450 metros, do total de 1.940 metros da pista principal.

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