Kassab procura Palocci e comenta ''vazamento''

Prefeito teria admitido a ministro que dados da Projeto podem ter saído da Prefeitura, mas depois recuou; agora, vê conspiração do Planalto contra ele

Julia Duailibi e Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2011 | 00h00

Com os holofotes voltados para a Prefeitura de São Paulo após o vazamento de dados fiscais do ministro Antonio Palocci (Casa Civil), o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, atua para neutralizar o desgaste com o Palácio do Planalto e diminuir a fritura junto a presidente Dilma Rousseff.

De acordo com interlocutores, Kassab vê em Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) um dos responsáveis por alimentar a tese de que as informações sobre a receita da Projeto, consultoria criada por Palocci, vazaram da Prefeitura paulistana por meio de dados do ISS (Imposto sobre Serviço).

No último dia 20, quando a Folha de S.Paulo mostrou que a empresa havia movimentado cerca de R$ 20 milhões no ano passado, o prefeito conversou com o ministro por telefone. Os dois já haviam se falado antes do vazamento. Na oportunidade, Palocci pediu cuidado com as informações de sua consultoria.

Na segunda conversa, conforme relato de Palocci a terceiros, Kassab teria admitido a possibilidade de os dados terem saído da Prefeitura a sua revelia, e teria se comprometido a anunciar uma investigação. Depois, teria voltado atrás e sido categórico sobre a inocência da Prefeitura no episódio. O prefeito disse publicamente que os únicos acessos ao cadastro da Projeto foram feitos a pedido da empresa.

Diante da repercussão negativa, turbinada por declarações de Carvalho e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enxergando motivação política no vazamento, o prefeito ligou para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT), para reafirmar que a Prefeitura não teria tido envolvimento no caso. Também teria questionado se o governo atribuía a ele a divulgação.

Para o Palácio do Planalto, por trás do vazamento está a Secretaria de Finanças paulistana, tocada por Mauro Ricardo, aliado de José Serra. Um dos indicativos é o fato de o número divulgado ser um montante anterior a uma correção de uma nota de ISS emitida pela Projeto e enviada à Prefeitura. O valor vazado seria o anterior à correção e só a Prefeitura teria o registro. Instado por Kassab, Mauro Ricardo também ligou para a Casa Civil para dar sua versão dos fatos.

Na terça-feira, em encontro durante evento em uma faculdade, Kassab conversou com o deputado Gabriel Chalita, que ontem se filiou ao PMDB com pretensões de disputar a Prefeitura. No encontro, Kassab afirmou que há uma "conspiração" para queimá-lo com o governo.

Aproximação. Desde o final do ano passado, quando definiu a sua saída do DEM, Kassab ensaia uma aproximação com o governo federal, tendo em foco a sua sucessão e os planos de 2014 - eleição para o governo paulista.

Inicialmente, Kassab tinha decidido ingressar no PMDB, mas o plano não vingou. O vice-presidente Michel Temer, líder do partido no Estado e que mantinha uma convivência pacífica com Orestes Quércia (morto em dezembro), tratou de ocupar o espaço vazio deixado pelo antigo líder. Temer emplacou na direção estadual o deputado Baleia Rossi, filho do ministro Wagner Rossi (Agricultura).

Kassab começou a formatar então a segunda opção: a criação de um novo partido que teria a vantagem de ser, na prática, uma janela de infidelidade para os descontentes nas suas siglas - o TSE decidiu que após a criação do partido, as pessoas terão o prazo de 30 dias para se filiarem sem serem consideradas infiéis.

Depois do desgaste com o governo, Kassab não compareceu a encontro de Dilma na semana passada com prefeitos de cidades que sediarão a Copa.

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