Kassab quer recriar MDB, unindo DEM e quercistas

A partir de hoje, o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), de 50 anos, se torna uma das peças-chaves na reorganização dos partidos que apoiaram a candidatura José Serra (PSDB). Será um dos coordenadores de uma oposição moderada ao governo Dilma Rousseff no Congresso. Uma das ideias de Kassab, segundo assessores próximos, é fundir parte do DEM com o espólio quercista do PMDB paulista, dando origem a um novo partido chamado MDB - mesmo nome da sigla que abrigou opositores do regime militar durante os anos 70.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2010 | 00h00

"Muita gente próxima do prefeito vem elogiando essa sacada dele, de resgatar o nome do MDB nessa fusão", disse um secretário municipal ao Estado.

Conciliador. Kassab foi o primeiro político a votar no Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, zona oeste, por volta das 8h30. E logo teve de responder a jornalistas perguntas sobre seu futuro. "A partir de amanhã ninguém mais tem candidato. Estaremos todos torcendo para que o próximo presidente faça um bom governo. Não é saudável de forma alguma você estender as disputas após o período eleitoral", disse o prefeito.

Diante do clima de animosidade entre PT e PSDB provocado pela campanha eleitoral, Kassab, reconhecido até por petistas como habilidoso articulador político, também deve usar seu bom trânsito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar eliminar rusgas. Também pesa a favor do prefeito nas negociações políticas a "bancada" de seis deputados federais do DEM paulista eleitos em 3 de outubro com o seu "apadrinhamento".

Segundo Kassab, o futuro do DEM começará a ser construído hoje. Mas ele desconversou sobre a possibilidade de fusão com o PMDB. "É só boato.".

Depois de sair do Sion, Kassab acompanhou o governador Geraldo Alckmin, que votou no Colégio Santo Américo, no Morumbi, zona sul. De lá o prefeito seguiu para a casa do candidato à Presidência José Serra (PDSB), no Alto de Pinheiros, zona oeste. Voltou com ele para o Santa Cruz, onde Serra votou.

À tarde, o prefeito foi para a casa da irmã, onde almoçou com os sobrinhos. No final da votação, retornou à casa de Serra. De acordo com assessores, Kassab pretendia permanecer ao lado do tucano até o discurso programado por Serra para depois do anúncio do vencedor da eleição.

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