Kassab repassa verba atrasada

Algumas entidades receberam ontem valor de dezembro

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

As cerca de 700 entidades terceirizadas responsáveis pelo atendimento na cidade de São Paulo a crianças, adolescentes, moradores de rua, deficientes, idosos, vítimas de violência e abuso sexual começaram a receber o repasse de R$ 27 milhões mensais da Prefeitura referentes a dezembro. Na quarta-feira, o Estado publicou reportagem sobre o atraso no repasse, que costuma ocorrer até o dia 5 de cada mês. Em janeiro, porém, o dinheiro só pode ser liberado após a abertura do orçamento. Isso costumava acontecer até o dia 15. Mas, neste ano, o atraso foi maior, segundo entidades. A Secretaria Municipal de Finanças disse ter cinco dias úteis após a abertura do orçamento para fazer o repasse, e informou que todas as organizações receberão o dinheiro até amanhã."O repasse deve ser feito no dia 5. Já houve atraso, mas nunca tinha passado do dia 10. Desta vez, foi demais", rebate Marcos Moreira, da Associação Reciclázaro, que atende 1,2 mil moradores de rua e tem 120 funcionários. "Eles só receberam o salário de dezembro hoje (ontem). Um verdadeiro descaso".Embora aliviadas, as entidades reclamam que terão de arcar com os juros e multas de contas e pagamentos de fornecedores atrasados - o repasse não considera a correção monetária e os prejuízos causados às organizações. Mais da metade delas depende exclusivamente da verba da Prefeitura, segundo o Fórum de Assistência Social e, portanto, não tiveram condições de pagar os salários dos funcionários e as despesas de dezembro antes do repasse. "As instituições terão de arcar sozinhas com todas as despesas decorrentes de multas, juros, renegociação com fornecedores", reclama Moreira. "Não tenho ideia do total, mas o prejuízo é grande", diz Patrícia Cruz, responsável pelas finanças da entidade que administra o albergue Boraceia, no centro da capital, e outros dez projetos para cerca de mil moradores de rua. "Estou correndo para sanar a folha de pagamento e as contas das concessionárias, antes que cortem o serviços de água, luz, gás... Amanhã (hoje), começo a renegociar as dívidas com fornecedores."

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