Kassab sai, mas sem o DEM

Os defensores da incorporação do DEM ao PMDB atribuem ao açodamento do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o fim da ideia. Ninguém se arrisca a emitir o atestado de óbito, mas é consensual que dificilmente haverá chance de retomada do projeto. Ao formalizar a proposta e tentar abrir a discussão, com olho na sucessão estadual de 2014, Kassab despertou as reações contrárias, da cúpula do DEM ao PT, que acusa o PMDB de estimular a oposição para tornar-se majoritário na aliança governista.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2010 | 00h00

Essas são as dificuldades que inviabilizaram, pelo menos no médio prazo, a costura política da incorporação. Esta difere das outras formas de união partidária que pressupõem a auto-dissolução do DEM, como a fusão. A incorporação permitiria que o DEM preservasse o tempo de TV e o Fundo Partidário, que levaria para o PMDB. Seria, por assim dizer, o dote da noiva.

Mas uma operação política de tal extensão só se viabiliza pela negociação e teria que ser precedida necessariamente de uma parceria informal no primeiro ano da nova legislatura, para desarmar os espíritos dentro do próprio DEM.

A incorporação só ocorreria se sacramentada pelos dois partidos em convenção nacional, que por sua vez só pode ser convocada pelas Executivas ou por maioria dos diretórios de cada legenda, premissas inexistentes hoje no Democratas, que vive grave crise de comando. Kassab deve ir para o PMDB por conta própria e com aliados de São Paulo.

Bateu, levou

A tese da incorporação ao PMDB irrita tanto a cúpula do DEM que o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), admite até apoiar o líder governista, Candido Vaccarezza, do PT, para a presidência da Câmara. Segundo membros da bancada, Maia age em represália ao líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que identifica como um dos articuladores da ideia.

Cota pessoal

Lideranças do PSB afirmam que eventual escalação de Ciro Gomes para o ministério ou para cargos do primeiro escalão deve ser contabilizada na cota pessoal de Dilma Rousseff. O partido, que já tem dois ministérios no governo Lula, quer emplacar o ex-líder da bancada Márcio França (SP) na Secretaria de Portos e trocar a pasta de Ciência e Tecnologia por uma da área de infraestrutura, como a Integração Nacional. Mas considera que Ciro Gomes, que já perdera o apoio da legenda na disputa presidencial, é personagem também do staff de Dilma desde que abriu mão da candidatura e integrou-se à campanha vitoriosa do PT. É dívida política da presidente eleita.

Coração mole

Um petista estrelado rechaça as especulações de que o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, poderia assumir a Secretaria de Comunicação Social da Presidência no lugar de Franklin Martins. "Gilberto Carvalho tem um coração de ouro. Para esse cargo, a pessoa tem de ter uma casca mais grossa", afirmou, em alusão à belicosa iniciativa do atual ministro de discutir um anteprojeto de lei para regular os meios de comunicação.

Quarentena

As eleições passaram, mas a polêmica em torno das pesquisas continua. Uma roda de juízes discutia, semana passada, a possibilidade de estabelecer uma "quarentena" para consultas de intenção de voto em período eleitoral. Pela sugestão, a última pesquisa seria divulgada 40 dias antes da eleição. Depois disso, só para consumo interno.

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