Kátia Abreu ameniza defesa de pleitos do MST

Ligada aos ruralistas, senadora apoia renegociação de dívidas mas diz que continuará dura ''contra as invasões''

Bruno Boghossian, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2011 | 00h00

Depois de apoiar o pleito do Movimento dos Sem-Terra (MST) pela renegociação das dívidas de pequenos agricultores, a senadora Kátia Abreu (ex-DEM-TO), que preside a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e sempre se alinhou com a bancada ruralista, amenizou o discurso. Disse que pretende agir como oposicionista e que não se alinhará à postura do governo no debate sobre a reforma agrária.

A parlamentar, futura integrante do PSD, esclareceu que não está afinada com o MST e que repudia as invasões de terras. "Mudo de partido, mas nada do que eu penso mudou. Sou oposição e continuarei sendo dura contra as invasões criminosas no campo", afirmou. "Isso não impede que eu vá até a presidente para discutir assuntos de interesse do Brasil."

Em reunião com Dilma Rousseff na terça-feira, Kátia apresentou propostas de renegociação de dívidas que beneficiariam agricultores egressos do MST, assentados em pequenas propriedades. Para deputados ruralistas, a sintonia com as reivindicações dos sem-terra é pontual e não indica um abrandamento da posição da senadora.

"Não é possível fazer renegociação excludente. Se o cidadão tem atividade como produtor rural, deve ser beneficiado, independentemente de seu alinhamento ideológico", avaliou o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO), crítico ferrenho das invasões dos sem-terra.

Flertes. A avaliação desses parlamentares é que as divergências entre ruralistas e sem-terra superam interesses partidários de uma possível aliança entre o PSD de Kátia Abreu e o Planalto. Apesar dos flertes da nova legenda com Dilma, eles acreditam que a defesa dos interesses dos agricultores e as críticas às invasões prevalecerão.

Futuro presidente do PSD em Rondônia, o deputado federal Moreira Mendes (ainda no PPS) fez coro com os ruralistas ao defender a renegociação de dívidas dos ex-sem-terra. "Condenamos com veemência as ações do movimento, mas apoiamos os assentados", disse. "Se alguém recebe uma terra, deixa de ser do MST e deve ser tratado como um produtor - e não podemos discriminar o produtor que precisa renegociar sua dívida."

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