Kelly foi levada à Justiça aos 12 anos

Jovem acusada por golpes em bairros nobres largou escola aos 15

Felipe Grandin e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2025 | 00h00

Apesar de muito inteligente na hora de aplicar golpes, Kelly Samara Carvalho dos Santos, de 19 anos, não era boa nos estudos. A jovem foi presa na terça-feira sob a acusação de cometer uma série de golpes em bairros nobres de São Paulo. Ela abandonou a escola aos 15 anos, antes de completar a 5ª série. E não deixou boas lembranças nos colégios por onde passou, em Amambaí (MS). "Ela era invocada. Xingava os professores, empurrava os colegas, subia na mesa. Quebrou até uma janela", contou Marlene Stessen, de 53 anos, que trabalhava como faxineira na Escola Estadual Vespasiano Martins, último lugar em que Kelly estudou. Na época, a jovem já demonstrava suas habilidades de convencimento. "Comigo era diferente, meiga. Sempre me pedia ajuda, dinheiro."Kelly começou o ensino básico em 96 e chegou com esforço à 4ª série, em 2000, aos 12 anos. Nesse período, a forma agressiva como agia com os colegas e professores a levou pela primeira vez à Justiça. "Tentaram de tudo, mas não deu certo e a trouxeram para cá", disse o juiz da Infância e da Juventude de Amambaí, Thiago Tanaka.O tratamento psicológico e o acompanhamento de assistentes sociais também não deram jeito. Em 2003, voltou a ficar sob custódia da Justiça, dessa vez por furtar roupas e objetos de colegas. Depois, a situação só piorou. Acusada de furtos, estelionato e falsidade ideológica, foi internada três vezes - uma delas para desintoxicação.Em 2006, Kelly foi para a cadeia pela primeira vez, após tentar enganar o prefeito da cidade de Tacuru (MS), Cláudio Barcelos. A jovem disse que era dermatologista e iria trabalhar no hospital da cidade. "Logo vi que tinha coisa errada", disse o prefeito, que é médico e descobriu o golpe. Kelly foi levada para a prisão em Dourados. E deixou dívidas num hotel, numa loja de roupas e num mercado na cidade do prefeito Barcelos. Segundo o psicólogo Antônio de Pádua Serafim, coordenador do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, pessoas como Kelly começam cedo a desenvolver seus hábitos. Enganam parentes e colegas para depois ampliar a atuação. Mas Serafim estranhou o fato de ela cometer tantos crimes tão nova.Depois da prisão de Kelly, a polícia começou a trabalhar com a hipótese de que a estelionatária não agia só nos golpes. Há seis meses em São Paulo, Kelly foi presa pela primeira vez na capital em julho por passar cheques roubados como pagamento de carro que alugou.

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