Kersul volta atrás e deve ajudar CPI na análise de caixa-preta

Na terça, o chefe do Cenipa criticou divulgação do conteúdo das gravações, antes do fim da investigação

26 Julho 2007 | 15h45

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, ofereceu a auxílio de técnicos do Cenipa para apresentar na CPI, em reunião fechada, as informações das caixas-pretas do Airbus da TAM que explodiu na semana passada, em Congonhas.    "Os dados isolados podem levar a conclusões erradas", comentou. Segundo Kersul Filho, a data da reunião poderia ser definida até o fim da semana que vem.   "A princípio, não liberaríamos essas informações porque a legislação sobre investigações assim o prevê. Como a lei prevê que a CPI pode ter acesso, assim que a comissão necessitar de informações estaremos sempre à disposição", disse Kersul à CPI.    Em entrevista coletiva na última terça-feira,o brigadeiro havia criticado a liberação pública das causas do acidente com o Airbus da TAM e o conteúdo das gravações da caixa-preta da aeronave durante as investigações.   Kersul disse também que, apesar do retorno das caixas-pretas estar previsto para esta sexta-feira, comissão americana que analisa os dados  iria se reunir nesta manhã, e , caso surgisse alguma variável, elas poderiam permanecer nos EUA por mais tempo.   Sem problemas   Durante seu depoimento na CPI , Kersul Filho revelou ter recebido a informação de que o Serviço de Proteção ao Vôo da Aeronáutica, considera que o prédio, que chegou a ser anunciado como causador de problemas para pousos de aviões, não causa qualquer problema na aproximação de vôo.   Outro ponto acertado na reunião  é a realização de uma inspeção no Cindacta IV, em Manaus, para saber as causas que levaram a paralisar seus serviços, causando problemas sérios para a aviação brasileira. O chefe da Cenipa perguntado que informações teria sobre o caso do Cindacta IV, informou que com a falta de energia, esperava-se que um gerador entrasse em ação simultaneamente, o que não ocorreu. Um segundo gerador também falhou.   "Ai então foram acionadas baterias que sustentaram o sistema no ar por 58 minutos, mas depois elas se esgotaram", disse o brigadeiro.   Segundo ele, uma sindicância vai levantar o que houve, e numa investigação, "o investigador não pode deixar de lado hipótese alguma, por isso incluo uma possível imprudência, um erro simples ou até uma sabotagem. O investigador deve ter a mente aberta".   Acidente da Gol   Questionado sobre uma previsão da conclusão da investigação do acidente da Gol, o brigadeiro disse acreditar que até o final de setembro, se não houve contra tempos, um relatório será entregue.    "Desde o início, estamos colocando como previsão 12 meses para emissão do relatório final.  Espero que com o relatório, tenhamos capacidade de emitir dezenas de medida de segurança".   Mais Depoimento   A próxima reunião da CPI da Crise Aérea terá logo cedo, na manhã da próxima terça-feira, um depoimento do presidente da Pantanal.   Um avião da sua companhia derrapou no Aeroporto de Congonhas no último dia 16, um dia antes do desastre com o Air Bus da TAM. Ele vai explicar o que foi levantado sobre o acidente, e também deve falar sobre a operação em Congonhas.  (Colaborou Milton Rocha Filho, da AE)

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