"Kit presídio" vai ajudar Estado a convencer cidades

O secretário de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Nagashi Furukawa, tem uma fórmula para quebrar a resistência dos municípios em receber as prisões. Trata-se do "kit presídio", um pacote com serviços e obras de infra-estrutura para compensar problemas motivados pela vinda dos presos. "A prefeitura que sediasse uma detenção poderia receber em troca, por exemplo, duas pontes metálicas, pavimentação, recursos para hospitais e moradias populares", explica Furukawa. A proposta do secretário foi apresentada a um gupo de prefeitos e dirigentes de presídios num seminário na Escola de Administração Penitenciária em São Paulo, que discutiu impactos da instalação de presídios no interior. Os representantes dos municípios reivindicam: mais policiamento, mais vagas nas escolas para absorver filhos dos funcionários dos presídios ou de detentos e ampliação dos serviços hospitalares. O secretário admitiu que algumas cidades receberam presídios sem o planejamento devido, mas prometeu corrigir a situação. Para o secretário estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Nelson Guimarães Proença, que também esteve no evento, os temores são infundados. "As ocorrências policiais não aumentaram, as famílias de presos não se mudaram para perto dos presídios nem há tumultos durante as visitas ou estímulo ao uso de drogas entre os jovens", afirmou. A tese do secretário tem o apoio da prefeita de Valparaíso, Maria de Lourdes Marques. Caso raro entre os colegas, ela até doou dois imóveis para construção de presídios em sua cidade. "As prisões criaram empregos, as visitas impulsionaram o comércio", garante. O Estado tem 105 mil presos e 105 presídios. Em quatro anos, mais 96 devem ser construídos, para 48 mil detentos.

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