Klabins brigam por quadros sumidos

Disputa de herdeiros do acervo de Paulo Kablin acabou na delegacia

Márcia Vieira, RIO, O Estadao de S.Paulo

14 Agosto 2009 | 00h00

Seis quadros avaliados em US$ 2 milhões estão no centro de uma disputa envolvendo os herdeiros do colecionador de arte Paulo Eduardo Klabin. Morto há dois anos, Paulo era filho de Horácio Klabin, a segunda geração da família que criou as Indústrias Klabin, o maior produtor e exportador de papel e celulose do País. Paulo não tinha mais participação nas indústrias da família, mas morreu deixando um grande acervo de obras de arte, além de uma casa de cinco andares na Rua 62, em Nova York, avaliada em US$ 8 milhões, e dois apartamentos no Rio. A briga envolvendo Simone Klabin, sua segunda mulher, e Bruno e Alexandre, filhos do primeiro casamento de Paulo, foi parar na delegacia. Simone, que teve dois filhos com Paulo, deu queixa na Delegacia de Roubos e Furtos do Rio. Segundo ela, pelo menos seis telas do acervo do colecionador, de Lasar Segall, Di Cavalcanti, Manabu Mabe, Tomie Ohtake e Antonio Bandeira, haviam desaparecido. A tela Mãe Preta, de Segall, é a mais valiosa entre elas: está avaliada em US$ 1 milhão. Segundo Raphael Mattos, advogado de Simone, essas seis telas não foram arroladas na relação de bens. "Ela questionou os dois filhos mais velhos sobre o paradeiro desses quadros. Eles se omitiram e ela, então, decidiu dar queixa na delegacia", diz. Simone está morando em Nova York. Bruno e Alexandre, que vivem no Rio, não quiseram dar entrevista, mas o advogado deles, José Roberto Castro Neves, disse que a denúncia é um factoide. "Isso é mentira dela. Simone está criando um problema porque não está cumprindo o acordo assinado por eles de divisão dos bens. Esses quadros não são há muito tempo do Paulo. Muitos foram vendidos pela própria Simone", afirmou ontem o advogado Castro Neves. SEPARAÇÃO DE BENS Bruno e Alexandre tentam na Justiça americana e na brasileira que Simone explique onde foi parar o dinheiro da venda da casa em Nova York e dos quadros que o pai deixou. Na terça-feira, Simone tem de comparecer diante da Justiça de Nova York para ser ouvida pelo juiz. "Quando Paulo morreu, ele deixou uma casa incrível, cheia de obras de arte e contas em banco. Ela vendeu a casa e as obras de arte até hoje os filhos não sabem onde estão", disse Castro Neves. "Fico admirado com o zelo dela com esses quadros que ela diz que sumiram. Não é o mesmo zelo que ela tem com o resto dos bens que ela não indica o paradeiro." Paulo e Simone eram casados com separação total de bens. Pela lei brasileira, a herança dele tem de ser dividida em partes iguais entre ela e os quatro filhos. Desde o casamento com Simone, Paulo vivia em Nova York, mas voltou ao Rio às vésperas da sua morte. Com o dinheiro herdado dos pais, Paulo se transformou em um grande colecionador de artes. O pai, Horácio, chegou a ser dono dos cartões Diner?s. A mãe, Beki, brilhou nas festas da sociedade carioca nos anos 80 e 90. Chegou a ser jurada do programa do Chacrinha e namorada do cantor Waldick Soriano.

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