L. volta para a escola e vai fazer exame de DNA

Teste vai revelar verdadeiro pai da menina

Rubens Santos, GOIÂNIA, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2008 | 00h00

Quase oito meses sem sair de casa, e 17 dias após ser libertada do cárcere privado e das sessões de tortura, a vida da menina L., de 12 anos, começou a voltar à rotina. Ontem, com uniforme bem passado e mochila rosa de rodinhas, ela foi reintegrada à turma de 40 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, do Colégio Polivalente da Polícia Militar. "Aluna CPMG, L., do 6º ano C, se apresentando", disse após bater continência ao capitão-PM José Martins, diretor da unidade, no Setor Oeste, bairro tradicional de Goiânia. A menina foi tirada da escola em agosto passado pela empresária Silvia Calabresi Lima, que está presa sob acusação de torturá-la. "Estou de volta à minha casa, agora me sinto segura", disse L. aos seus colegas na escola. "Ela retornou à escola, porém vai repetir o 6º período", avisou o capitão. "Vai começar da estaca zero", alertou. O diretor comentou que o tratamento a ser dado à aluna "será normal", visando a sua reintegração. Até pediu aos alunos para abandonarem a curiosidade sobre o caso. "No ano passado, ela se mostrou uma aluna de comportamento normal, com desempenho escolar dentro da expectativa e fazia parte de uma turma com idade variando entre 10 anos e 12 anos", disse o militar. "Eu vou crescer, vou me formar e ser advogada, depois serei delegada de Polícia", anunciou L.. O que parecia um dia de rotina na verdade começou com insônia: "Ela ficou ansiosa com a volta às aulas e pelo impacto de uma notícia dada pela mãe", afirmou Cecília. A insônia de L., que guarda o que tem - roupas, material escolar e sapatos - numa caixa de papelão, deve-se aos exames de DNA que fará hoje para conhecer a identidade de seu pai biológico. Joana D?Arc da Silva, de 40 anos, confessou para L. que Lourenço Rodrigues da Silva não é seu pai. Lourenço disse que sempre soube que L. não é filha dele.O laudo sobre as torturas sofridas por L. será divulgado hoje. Entre outras violências, relata que a menina tem 11 buraquinhos no couro cabeludo. Segundo a médica Eliane Frota, L. explicou como eles surgiram: "A tia Silvia fez com o salto do sapato."

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