Ladrão que roubou R$ 39 milhões do Banespa é preso

A Polícia Civil de Guaratinguetá (SP) prendeu ontem à noite um dos criminosos mais procurados do Estado de São Paulo. Flázio Trindade de Souza, de 42 anos, estava saindo da casa da namorada, no bairro Pedregulho, em Guaratinguetá, Vale do Paraíba, quando foi abordado pela polícia, por volta das 22h30. Desarmado, ele não reagiu. Souza é apontado como o líder da quadrilha formada por doze homens que, em junho de 1999, assaltou a agência central do Banespa, em São Paulo, de onde foram levados 39 milhões de reais. Ele chegou a ser preso meses depois do assalto, mas conseguiu fugir, há cerca de um ano e meio, quando pulou o muro da penitenciária Tarciso Leonce Pinheiro Cintra, em Tremembé. Pela quantia roubada e pelo número de integrantes, o roubo foi considerado o maior do país. O delegado Homero Vilela Vieira, responsável pela prisão, contou que há cerca de seis meses chegou à delegacia a informação de que Souza estaria freqüentado a cidade. "Sabíamos qual era o carro dele e a casa que geralmente freqüentava. Na tarde de ontem, o assaltante foi visto em Guaratinguetá por um investigador, que o seguiu e chamou reforço para concluir a prisão". Durante a madrugada, em entrevista à TV Bandeirantes Vale do Paraíba, o ladrão fez algumas revelações sobre o assalto. Contou, por exemplo, que planejou o roubo ao Banespa durante 45 dias, seguiu a rotina de alguns funcionários e considerou "vulnerável" o sistema de segurança dos bancos. "Entramos em doze, outros ficaram pra fora. Abrimos o cofre e tinha uns 115, 120 milhões, mas não deu pra levar tudo, aí pegamos o que deu e fugimos". Souza afirmou que depois do assalto, sua vida mudou. "Foi a pior coisa que fiz. Depois daquilo, nunca mais tive sossego na vida. Eu tentava ficar em hotéis, mas nossa cara estava toda hora na televisão. Então a gente tinha que ficar pela estrada, de carro. Fui pra Bahia, fui pra todo lugar para tentar fugir".Souza disse que os 39 milhões foram divididos entre a quadrilha e que ele teria ficado apenas com 3 milhões. "Hoje eu não tenho mais nada. Ajudei muita gente, muita criança. Ajudei mesmo e hoje estou sem nada".Outra parte do dinheiro, segundo relato do ladrão, foi usada para pagar o resgate de pessoas de sua família, seqüestradas meses depois do assalto, em 1999. "Eu tive que dar 500 mil e depois um milhão que estava escondido. Não sei se foi a polícia ou se foi ladrão que fez isso".O criminoso não escondeu a satisfação de ter feito o maior roubo do país. "Não é que eu quero me gabar, mas esse foi o maior roubo a banco da história do Brasil. Não vou falar do mundo porque teve aquele lá na Inglaterra, do trem (se referindo ao assalto ao trem pagador, na Inglaterra)?.Condenado a 42 anos de prisão, Souza tem uma ficha extensa, onde aparece como participante de outros 19 roubos a bancos. "Participei de uns dois antes do Banespa. O resto não é verdade". Em um dos crimes, o nome de Souza aparece junto com o de Idemir Carlos Ambrósio, conhecido como o Sombra, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Para o delegado, o fato de cometerem assaltos juntos evidencia a integração do assaltante preso à facção criminosa. Segundo o advogado de Souza, João Batista Rangel, seu cliente não tem nada a ver com o PCC. "Não acredito que ele pertença a esta facção criminosa", afirmou. Um forte esquema de segurança foi montado hoje à tarde para transferir Souza para a capital. A polícia civil de Guaratinguetá tinha receio que o assaltante fosse resgatado da cadeia.

Agencia Estado,

21 de agosto de 2002 | 17h29

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