Ladrão se fez passar por vítima em hospital

Mais de 20 viaturas seguiram para o São Luiz Gonzaga, para evitar resgate

Vitor Sorano, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

O risco de uma tentativa de resgate de um dos bandidos socorridos no Hospital São Luiz Gonzaga, no Jaçanã, por volta das 17 horas de ontem, levou mais de 20 viaturas das Polícias Civil e Militar a entrarem no hospital, com direito a policiais com metralhadoras em punho. A polícia desconfiava que um suposto integrante do bando estava sendo atendido pela equipe médica. A Assessoria de Imprensa do hospital não confirmou a informação. No mesmo hospital foram atendidos policiais militares feridos na operação.A rua na frente do hospital chegou a ser totalmente fechada por três carros da Força Tática. Os policiais mantiveram viaturas nas imediações do hospital, até que os agentes que estavam sendo socorridos tivessem sido liberados. Três PMs que trocaram tiros com a quadrilha no Jaçanã foram socorridos no Hospital São Luiz Gonzaga - um deles, soldado Anderson Mariguete, com um ferimento na cabeça, foi levado por volta das 15 horas pelo helicóptero Águia da PM para o Hospital das Clínicas. Os outros dois, sargento José Roberto Urias e o soldado Aguinaldo Silva Joaquim, foram feridos de raspão e liberados.O carteiro Djalma Gomes de Oliveira, de 52 anos, foi ferido no antebraço direito por uma bala perdida durante a troca de tiros na Rua Carlos Aranha. "Parecia um monte de explosão, não deu tempo de eu me jogar no chão. Só ouvia as balas batendo nos portões", disse o carteiro, que foi liberado por volta das 18 horas. "Não tinha como esconder porque as casas estavam todas fechadas."CARTASOliveira afirma que estava a 500 metros do tiroteio e não chegou a ver os bandidos, apenas policiais de motocicletas. "Eu estava entregando cartas. Daqui para a frente vou ter medo. Ainda mais porque eu trabalho na rua, onde a segurança é nada", disse.A Assessoria de Imprensa do centro médico também confirma que foi atendido no local o estudante Tiago Itocaso, de 27 anos, atingido por um tiro de raspão no abdome. Ele também foi liberado, após ser medicado, na tarde de ontem.Segundo testemunhas, quatro integrantes da quadrilha trocaram de carro na frente do hospital durante a ação. Uma manicure, que não quis ser identificada, afirmou que eles fecharam um Vectra prata e começaram a gritar para que o motorista e o acompanhante descessem. "Ela estava com dificuldade para sair do carro e foi arrancada", disse. O Fiat Punto que os bandidos usavam permanecia abandonado na frente do hospital até as 20 horas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.