Ladrões atacam mais na Augusta e Consolação

Ruas com bares novos tem maior número de casos de roubo na região, que inclui Jardins, Cerqueira César e Bela Vista, conforme dados do 4.º DP

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

08 Julho 2009 | 00h00

Dois símbolos da noite paulistana, além de animados e agitados, também têm atraído marginais. Mapeamento feito pela equipe do 4º Distrito Policial (Consolação), responsável pelo policiamento das partes nobres dos bairros Jardins, Cerqueira César, Bela Vista e centro, mostra que as Ruas da Consolação e Augusta lideram as estatísticas de roubos e furtos locais. De um lado, estão meninos de rua que por causa das drogas perdem o medo de assaltar. Do outro, jovens do sexo feminino, que acabam vítimas, em especial na saída dos bares até os carros. "Assumi a delegacia na semana passada e a primeira ação foi fazer um diagnóstico da criminalidade na região", afirma o delegado titular do DP, João Gilberto Pacífico. "Com os dados em mãos, vou mandar um ofício à Polícia Militar para reforçar a ronda nos locais mais vulneráveis. Além disso, estamos elaborando blitze nos endereços que mais apresentaram problemas, num trabalho de tentar aproximar a comunidade da delegacia. Precisamos de mais notificações para poder agir melhor." O levantamento foi feito com dados de janeiro a maio deste ano. Em toda área monitorada pelo distrito foram registrados 804 roubos e furtos (na conta estão os roubos e furtos de carros). Ao Estado, Pacífico informou as nove vias que mais concentraram ocorrências. Juntas, Consolação e Augusta respondem por 27,8% dos boletins de ocorrência feitos. As outras ruas citadas no mapeamento do delegado, em comum, têm como característica a circulação de pessoas com maior poder aquisitivo, além de lojas e restaurantes. Moradores dos bairros que passaram pelo raio X realizado pelo 4º DP confirmam o perfil tanto de vítimas quanto de criminosos descritos pelos policiais. As mulheres jovens e os universitários são os mais abordados, principalmente, por meninos de rua. "Nem sempre eles estão armados, mas sempre intimidam a população local", afirma a representante da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc), Célia Marcondes. Os menores de idade em situação de rua, afirma a polícia, quando pegos em flagrante, apontam a Praça Roosevelt e o escadão da Avenida 9 de Julho (ambos na região) como áreas onde mais ficam. "É um problema grave que temos porque, muito mais do que crime, eles estão inseridos em um contexto de abandono social pleno", completa o delegado Pacífico. Embora ganhem destaque no levantamento feito pelo Distrito Policial, Consolação e Augusta não são exclusivas entre as vias que sofrem com os furtos. O crime está em ascensão em toda capital, conforme os últimos dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Na comparação entre o primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2008, foram 6.043 furtos a mais registrados, um aumento de 17,6% (saiu de 34.219 registros para 40.262, uma média de 400 crimes por dia só na cidade). Uma publicação do Núcleo de Estudos da Violência da USP, divulgada em 2008, traçou panorama sobre a criminalidade da cidade e trouxe informações que podem agregar explicações sobre o aumento de objetos furtados. No capítulo sobre o assunto, assinado por Túlio Kahn, coordenador de Planejamento da Secretaria da Segurança Pública, foi explicado que esse tipo de crime tem relação com o aumento do uso de aparelhos portáteis . "É possível especular que o aumento (de furtos) venha ocorrendo em função da disseminação de equipamentos de alto valor agregado", afirma, citando como exemplo celulares, MP3, iPods, máquinas digitais, notebooks. Todos objetos são citados como "presas fáceis". LADRÕES VIGIADOS Na área mapeada pelo DP, os moradores reunidos em associações apostam no sistema de vigilância como alternativa para reduzir a criminalidade. A Samorcc, por exemplo, incentiva tanto os lojistas quanto os condomínios a instalarem câmeras, não apenas na área interna, como nas ruas também. O slogan defendido é "Cuidado, você está sendo vigiado". Depois de sofrer um arrastão há seis meses e ter um dos condôminos assaltado mais recentemente, o síndico de um prédio empresarial na Rua Augusta acatou o conselho da associação. "No mês passado, colocamos câmeras que monitoram também a frente do edifício e os vizinhos", diz Antônio Eduardo dos Santos. "Tanto para evitar o trauma que é um arrastão, como os furtos de trombadinhas, que são diários." FRASES João Gilberto Pacífico Delegado titular do 4.º DP "Vou mandar um ofício à Polícia Militar para reforçar a ronda nos locais mais vulneráveis. E estamos elaborando blitze nos endereços que mais apresentaram problemas" Célia Marcondes Samorcc "Nem sempre eles estão armados, mas sempre intimidam a população local" Túlio Kahn Secretaria da Segurança Pública "Aumento de furtos pode ocorrer pela disseminação de aparelhos de alto valor agregado"

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