Ladrões clonam carro e fazem arrastão em SP

Porteiro deixou bandidos entrarem pela garagem de prédio de luxo em Mogi das Cruzes, na Grande SP

Daniela do Canto e Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

Bandidos usaram um carro clonado para entrar num condomínio de luxo e fazer um arrastão, anteontem, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A quadrilha, formada por dez homens, manteve moradores e funcionários trancados em uma sala por cerca de duas horas, enquanto 15 dos 16 apartamentos do Edifício Firenze foram invadidos, atrás de dinheiro, joias e aparelhos eletrônicos. Na fuga, os criminosos também roubaram carros das vítimas e um computador com as imagens das câmeras de segurança. Ninguém se feriu e até as 20 horas ninguém havia sido preso."O modelo e a placa eram iguais aos do carro de um morador", justificou ontem um guarda do edifício, que não quis ser identificado. Por volta das 18 horas, um Gol preto parou na frente do portão da garagem do prédio, que fica na Avenida Aurora Ariza Meloni, e foi autorizado a entrar sem que os ocupantes se identificassem. "Foi o primeiro de uma série de erros da segurança. Os criminosos sabiam que o dono do carro verdadeiro costuma chegar às 22h30", disse o coronel Paulo Roberto Madureira Sales, do 17º Batalhão da Polícia Militar (PM).Já dentro da garagem, os dois assaltantes que estavam no veículo dominaram um morador, de 43 anos, e depois detiveram os vigilantes do local. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a dupla liberou rapidamente o acesso de oito comparsas, armados com pistolas e submetralhadoras. "Foi uma ação profissional. Eles usavam luvas, algemas plásticas, radiocomunicadores e armamento pesado", diz Sales. Para a polícia, a ação foi planejada. Parte da quadrilha abordava os moradores no hall de entrada e na garagem, conforme retornavam ou saíam de casa. Os reféns eram amarrados, vendados e levados para uma sala no andar térreo. "Apesar de ninguém ter saído ferido, todos os reféns foram ameaçados com armas de fogo", afirma Sales. Enquanto isso, outros assaltantes subiam aos apartamentos, dominavam outros moradores e anunciavam o arrastão. "Os criminosos tinham dados precisos sobre as vítimas. Suspeitamos que eles não tinham apenas um informante, mas mais gente repassando informações."Após quase duas horas no condomínio, às 19h45, o bando fugiu em vários veículos (o número total não foi divulgado), levando um computador que registrava as imagens do circuito interno de segurança. "Sem esse material, as investigações estão comprometidas", diz o coronel. Ontem de madrugada, o Gol clonado foi encontrado pela PM abandonado na Avenida Frederico Straube, próximo do local do crime. AVISOO prejuízo ainda não foi calculado, ninguém foi preso e nenhum morador havia registrado, até ontem, boletim de ocorrência. O coronel reclama que a PM só foi avisada sobre o arrastão às 22h40. "Outro erro da segurança. Depois a culpa é da polícia." O caso foi registrado no 1º DP de Mogi das Cruzes. COLABOROU RICARDO VALOTA

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