Ladrões ferem cabo e Bope invade 2 morros

Segurança de assessor da PM tentou impedir assalto a casal

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

O cabo do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Ênio Roberto Santiago, de 33 anos, foi baleado na cabeça, na manhã de ontem, ao tentar impedir que um casal tivesse seu carro roubado, na Tijuca, zona norte do Rio. Santiago estava trabalhando na segurança do tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, principal assessor do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. Neto, que esteve à frente do Bope até quinta-feira, não estava no local do tiroteio. Na sequência, a PM fez operação no Morro do Turano e uma pessoa morreu. Santiago foi ferido por volta das 7h30, quando estava na movimentada esquina das Ruas São Francisco Xavier e Conde de Bonfim. Ele estava no carro descaracterizado da polícia, aguardando Pinheiro Neto, quando viu o momento em que dois homens anunciaram o assalto a um casal num Gol preto, parado no sinal fechado. Santiago reagiu, mas comparsas dos assaltantes fizeram cinco disparos na direção do cabo - um tiro atingiu diretamente a cabeça. Os criminosos fugiram no carro do casal. Houve pânico e correria dos pedestres que estavam próximos do local. "Eu escutei vários tiros e, quando voltei, o vi deitado no chão, no meio da pista. Ele agiu como policial. Procurou defender aquelas pessoas que estavam sendo agredidas. O que ele não contava era com a cobertura (dos bandidos). Tudo está levando a crer que havia cobertura, tanto é que os tiros foram por trás", disse Pinheiro Neto, coordenador de Assuntos Especiais. A PM informou, inicialmente, que o cabo havia sido atingido por pelo menos dois tiros - na nuca e na cabeça. Mas, segundo os médicos do Hospital Municipal Souza Aguiar, para onde foi levado, Santiago foi ferido só por uma bala, que provocou danos em vários pontos do cérebro. Ele passou por nove horas de cirurgia, está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seu estado ainda é gravíssimo. RESPOSTA Policiais do 6.º Batalhão da Polícia Militar (localizado na Tijuca) e do Batalhão de Operações Especiais fizeram uma incursão no Morro do Turano e no Morro da Chacrinha, para tentar recuperar o carro roubado e localizar os criminosos. Durante a investida policial, Lúcio Carlos Rodrigues da Silva, de 31 anos, foi atingido por um tiro de fuzil no peito e morreu no Hospital Souza Aguiar. Um carro e uma pistola foram apreendidos no início da tarde.

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