Ladrões invadem museu e levam batuta de Villa-Lobos

A batuta do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos foi roubada do Museu dos Teatros, em Botafogo, na semana passada. O crime foi cometido entre a tarde de quarta-feira, 18, e a manhã de quinta-feira, 19, mas só foi divulgado nesta segunda-feira, 23. Os assaltantes também levaram um instrumento de sopro (petit bugle) da primeira orquestra do Theatro Municipal e acessórios da indumentária usada pelo ator Odilon Azevedo na peça O Imperador Galante, encenada em 1954, entre outros objetos. O museu, administrado pela Secretaria de Estado de Cultura, não tem seguranças. De acordo com a polícia, os assaltantes entraram pelo buraco do ar-condicionado. Eles roubaram computador, scanner, impressora, tevê de 29 polegadas e fax, além do acervo do museu."Em princípio não são criminosos especializados. Eles estavam atrás de objetos que pudessem vender", afirmou o delegado Eduardo Baptista, da 10ª Delegacia de Polícia. Para a diretora de Museus da Secretaria de Cultura, Márcia Bibiani, os assaltantes acreditaram que as peças cenográficas fossem jóias verdadeiras, como uma tiara de arame pintada de dourado e as pulseiras em metal com pedras coloridas do figurino de Odilon Azevedo, marido da atriz Dulcina de Morais. "A batuta do Villa-Lobos era uma vareta fininha, de jacarandá. Mas estava com outras batutas com ponteiras douradas e prateadas. Acho que pegaram tudo junto, para tentar revendê-las", afirmou. Márcia explicou que o museu está sem segurança desde o ano passado. "Houve contingenciamento do orçamento no governo anterior e os funcionários terceirizados foram dispensados. Estamos revendo isso nesse governo, mas infelizmente não conseguimos resolver todas as questões ", disse. Foi aberta sindicância interna para apurar o furto. O diretor do Museu Villa-Lobos, o violonista clássico Turíbio Santos, lamentou o roubo. "Esse tipo de crime não traz proveito para ninguém. É uma canalhice. É altamente predador para a cultura", afirmou. O Museu dos Teatros foi criado na década de 70 e reúne cerca de 36.000 peças e documentos relativos às artes cênicas. No acervo, há estudos de Eliseu Visconti para as pinturas da sala de espetáculos do Theatro Municipal, cadeiras do Teatro Lírico, principal casa de espetáculos do Segundo Reinado, cerca de 5.000 fotos de artistas e espetáculos, além de livros raros e a coleção de programas do Municipal. O Rio teve outros ataques recentes ao patrimônio histórico. Em fevereiro de 2006, o Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa, foi invadido por assaltantes armados com com granadas. Eles roubaram telas de Pablo Picasso, Henri Matisse, de Salvador Dalí e Claude Monet e um livro com poemas de Pablo Neruda e ilustrações de Picasso. As peças nunca foram recuperadas. Dez dias depois, em março, dois homens armados invadiram o Museu da Cidade, na Gávea, e roubaram 11 peças do século 19 com detalhes em marfim, prata e ouro. No feriado de Corpus Christi do ano passado, cerca de mil fotografias de Augusto Malta, toda a coleção de gravuras de Debret, 146 estudos do pintor Lucílio de Albuquerque, mapas, revistas e cartões postais foram levados do Arquivo Geral da Cidade, no centro do Rio. Não houve arrombamento. Também já foram alvos de criminosos a Biblioteca do Museu Nacional e a Biblioteca Nacional.

Agencia Estado,

23 Abril 2007 | 17h50

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