Ladrões matam dentro de ônibus

Universitário reagiu a assalto e foi baleado na Via Dutra

Simone Menocchi, TAUBATÉ, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 00h00

O estudante universitário João Alexandre de Almeida Guilherme, de 23 anos, foi brutalmente assassinado dentro de um ônibus da empresa Pássaro Marron, depois de reagir a um assalto, na noite de anteontem, quando voltava de São Paulo para a casa dos pais, em Taubaté, no Vale do Paraíba. O crime aconteceu por volta das 20h30, entre Guarulhos e Arujá, na Via Dutra. Segundo testemunhas, dois jovens pararam o ônibus no quilômetro 245 e entraram no veículo fazendo brincadeiras e comendo churrasco no palito.Minutos depois, foram para o fundo do ônibus e anunciaram o assalto. O estudante se assustou com a abordagem dos ladrões e, ao tentar reagir, levou um tiro no peito, caindo no meio do corredor. Diante do estudante morto, os ladrões começaram a fazer novas ameaças contra os passageiros. Pediram para que todos fechassem as cortinas e disseram que, caso o motorista desse algum sinal com o farol do ônibus, todos estariam mortos. "Nesse momento, os ladrões foram para o banheiro onde estava outro passageiro e dispararam três tiros contra as costas dele. Foram cerca de dez minutos, os mais terríveis da minha vida", contou um dos presentes, que pediu para não ser identificado. Por sorte, os três disparos contra o homem que estava no banheiro falharam. "Ouvi o barulho, as pessoas colocaram a mão na cabeça e pensei que fosse morrer", contou, abalado, o passageiro, que também pediu para não ser identificado. Depois de dez minutos, os ladrões saíram do ônibus e ainda avisaram o motorista: "Olha, ali na frente, tem um telefone do SOS. Pára lá e chama socorro pra atender o pessoal aí." Os ladrões fugiram em outro veículo que acompanhou o coletivo durante todo o assalto. Guilherme cursava o primeiro ano de Engenharia Mecatrônica em Santo André e viajava para Taubaté, onde morava sua família, para uma entrevista de emprego. Ele foi enterrado ontem à tarde no Cemitério das Palmeiras, em Taubaté. Amigos e parentes estavam revoltados, assim como os passageiros do ônibus, que pediram providências à empresa de transporte coletivo. A direção da Pássaro Marron informou que levou o assunto às autoridades policiais e solicitou reforço do policiamento na estrada, para dar mais segurança aos motoristas e passageiros, principalmente na Grande São Paulo.

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