Ladrões se misturam a moradores de rua no entorno da Câmara de SP

Com medo de assalto, idosos evitam sair de casa; parte da Cracolândia migrou para lá

Marici Capitelli, Jornal da Tarde, O Estadao de S.Paulo

02 Fevereiro 2009 | 00h00

Morar próximo à Câmara Municipal, no centro de São Paulo, não tem sido fácil. Após a expulsão da Cracolândia, com a revitalização da Luz, moradores de rua concentram-se nas portarias dos prédios da região. No meio deles, bandidos e traficantes aproveitam a aglomeração para agir. Quem se nega a dar dinheiro é ameaçado com canivetes e estiletes.A Ação Local Maria Paula elaborou um documento com todos os problemas da região, onde vivem 10 mil pessoas. O texto será entregue ao Ministério Público nos próximos dias. Moradores contam que bandidos aproveitam a aglomeração de 300 moradores de rua durante distribuição de sopa na Praça Emília Miguel Abella pela Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).No ano passado, a Polícia Militar prendeu 265 pessoas em flagrante no local. Assaltos a comércio são comuns. Com medo, idosos evitam sair de casa. Temendo represálias, os que saem levam moedas para distribuir a pedintes. Com a revitalização da Luz, parte das crianças e adolescentes viciadas em drogas migrou para perto da Câmara. Num ponto-de-venda de drogas no Viaduto Jacareí, garotos com radiocomunicadores não se intimidam e fazem a contabilidade do tráfico de dia.O síndico do Edifício Viadutos, João Bonfim, de 64 anos, reclama que, além de ocuparem o espaço público, moradores de rua e criminosos intimidam quem se recusa a dar dinheiro. A administração do edifício estuda contratar quatro vigias.Moradores contam também que, desde que a base comunitária da PM deixou a Praça General Craveiro Lopes, há quase três anos, os problemas aumentaram. Um abaixo-assinado, entregue à PM, pede a volta do posto. A corporação, por sua vez, afirma que a "base só foi removida depois de estudos baseados nos indicadores criminais", mas que o policiamento é mantido pela base comunitária móvel. Informa também que a praça fica a 50 metros da Câmara, que tem posto policial fixo e "vários programas de policiamento feitos na região: radiopatrulhamento, policiamento comunitário, rondas ostensivas com o apoio de motocicletas, policiamento integrado".O atendimento a moradores de rua e crianças e adolescentes em situação de risco da capital é feito pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Dos 414 agentes de proteção, 200 atuam na região central. A pasta, porém, não quis comentar o problema na região da Câmara. A presidente da Feesp, Silvia Puglia, diz que pessoas carentes procuram a sopa. "Sei que é um transtorno para os moradores e gostaríamos de atender a todos os que nos procuram para que não ficassem nas ruas, mas não temos condições financeiras."

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