Ladrões tinham chave de prédio no Pari

Quadrilha tinha alvos definidos; neste ano, a polícia já prendeu 29 pessoas por arrastões em edifícios e a procura por segurança cresce

Camilla Haddad e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

A Polícia Civil recebeu ontem as imagens do circuito interno de televisão do prédio na Rua Rangel Pestana, no Pari, região central de São Paulo, que na manhã de domingo sofreu um arrastão. Segundo o delegado titular do 12º Distrito Policial (Pari), Hélio Bressan, as imagens estão nítidas, mas a maior parte da quadrilha, formada por sete homens, usava capuz, o que pode dificultar a identificação dos suspeitos. Os assaltantes do edifício procuravam orientais. Eles tinham a chave do portão de entrada e invadiram seis apartamentos. Três vítimas foram agredidas com socos e coronhadas. Entre elas, havia uma senhora de 72 anos. Até ontem à noite, apenas dois homens haviam sido presos.No mesmo dia do arrastão, outro edifício também foi alvo de uma quadrilha formada por oito criminosos, num condomínio de luxo na Rua Oscar Porto, no Paraíso, na zona sul da capital. O porteiro foi dominado. O delegado titular do 36º Distrito Policial (Paraíso), Adilson Aquino, explicou que oito integrantes da quadrilha foram presos, mas outros dois, que davam cobertura ao bando do lado de fora do prédio, fugiram sem deixar pistas.BOOMCom esses dois casos, já são sete o número de edifícios que viraram alvos de criminosos neste ano - mesma quantidade registrada em todo o ano de 2008. Mas para o delegado Edison Santi, titular da 2ª Delegacia de Patrimônio do Deic, não haverá uma explosão de casos de arrastões na cidade. "Esse é um crime de oportunidade, o ladrão age de acordo com a conveniência", disse.De acordo com ele, 29 pessoas relacionadas aos arrastões foram presas neste ano - a maioria com passagem pela polícia por crimes contra o patrimônio. "São pessoas com antecedentes, que são convidadas a participar de um crime." O delegado explicou que, conforme um tipo de crime é combatido, as quadrilhas acabam se interessando por outros locais. "O boom de casos foi em 2005, com 36 roubos a edifícios. Em 2009 teve este aumento, mas as quadrilhas têm sido presas e estão sendo intimidadas. Vão parar." SEGURANÇASegundo o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara, apenas 30% dos 22 mil condomínios residenciais da cidade têm algum tipo de aparato de segurança - seja câmeras de vigilância, equipe treinada ou monitoramento 24 horas. Espaço para o crescimento das empresas de segurança privadas não falta. São Paulo representa hoje o maior mercado em toda a América Latina, com 420 firmas autorizadas pela Polícia Federal e mais de 100 mil vigilantes cadastrados. As empresas que mais crescem nos últimos anos, ao passo de 10% a 35% ao ano, são as grifes de segurança como Haganá, Graber e Fort Knox - megacompanhias que protegem grande parte dos condomínios de luxo da cidade (e agora investem em prédios para a classe C). Chega a ser quase uma precondição de venda na capital: nem bem o prédio foi finalizado, lá estão eles - alguns moradores chegam a pagar até R$ 10 mil mensais para contar com essa proteção.Só a Haganá é responsável pela segurança de 1000 condomínios. Já a Graber criou uma espécie de plano de saúde contra o crime, chamado de Clube de Segurança. Por R$ 450 mensais, o cliente garante a ajuda de um negociador em caso de sequestro e pode pedir um táxi blindado para buscar os filhos na saída de uma festa. O serviço tem 5 mil inscritos - há 1 ano e meio, eram 2 mil.

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