Lama atrapalha tentativa de resgatar microônibus da cratera

A primeira tentativa de resgatar o microônibus que está soterrado desde sexta-feira na cratera que se formou no canteiro de obras da futura estação Pinheiros da Linha 4 (Amarela) do Metrô fracassou no final da tarde desta quarta. De acordo com a reportagem da Rádio Eldorado AM, o capitão do Corpo de Bombeiros, Mauro Lopes, explicou que a grande quantidade de lama existente no local dificulta a retirada do veículo. "A lama atrapalha a locomoção da retroescavadeira, que estava patinando", disse. Para retomar o trabalho, que começou por volta das 17 horas, está sendo realizado desde o início desta noite a retirada de parte da lama para tentar novamente içar o veículo por meio de um cabo de aço. As equipes da Defesa Civil e dos bombeiros trabalham com a possibilidade de retirar o veículo com os corpos de pelo menos três pessoas que ainda estão desaparecidas: o cobrador do microônibus soterrado Wescley Adriano da Silva, de 22 anos, o motorista Reinaldo Leite, de 40 anos, o agente de controle ambiental Marcio Alambert, de 39 anos, e supostos passageiros da van.ResgateO corpo do motorista foi o terceiro a ser retirado do local do acidente, que aconteceu na tarde de sexta-feira. Na noite da terça-feira, o corpo da advogada Valéria Alves Marmite, 37 anos, a segunda vítima identificada do acidente ocorrido nas obras do Metrô, foi retirado de dentro do microônibus soterrado. Mãe de três filhos, Valéria trabalhava na região de Pinheiros e não dava notícias desde a tarde de sexta-feira, quando ocorreu o acidente. O corpo da advogada foi encontrado na tarde de segunda-feira dentro do microônibus, mas devido ao risco de novos desabamentos, os bombeiros tiveram dificuldades para retirá-lo antes.Na madrugada de segunda-feira, 15, as equipes de resgate encontraram o corpo da aposentada Abigail Rossi de Azevedo, 75 anos, depois de quase 70 horas do deslizamento, que aconteceu na tarde de sexta-feira.Preservação do localO principal objetivo logo após o fim do resgate dos corpos no local do acidente será a preservação da área para que as causas do desastre sejam investigadas. A decisão foi tomada na reunião na tarde desta quarta entre o delegado da 3ª Seccional Oeste, Dejair Rodrigues e o promotor de Justiça, José Carlos Blat. Dois peritos do Instituto de Criminalística também participaram do encontro.Nesta preservação, alguma ações, como a concretagem e soterramento, não poderão ser feitas. Segundo o promotor de Justiça, as medidas serão tomadas para descobrir quem é o responsável pelas irregularidades que provocaram o acidente. "Pessoas físicas não. Se tem é o fato de que houve erro na execução da obra, ou erro na execução de projeto. Algo aconteceu que comprova a negligência. O fato material nós temos, precisamos achar agora os autores", declarou Blat. IndenizaçãoO vice-presidente da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais no Transporte de Passageiros em Geral da Região Sudeste (Transcooper), Paulo Roberto dos Santos, afirmou nesta quarta que a empresa vem prestando total auxílio aos parentes das pessoas que estavam na van que caiu na cratera aberta com o desmoronamento na obra do Metrô de São Paulo. Na base de apoio montada pela Transcooper na rua Capri, próxima ao local do acidente, há psicólogos, enfermeiras, assistentes sociais e assessores jurídicos. Segundo Santos, os assessores jurídicos já estão tratando dos trâmites para o sepultamento das vítimas.Sobre o pagamento de indenizações às famílias dos passageiros do microônibus, Santos informou que a Transcooper tem seguro de R$ 100 mil para danos materiais, corporais e morais. Para os parentes do cobrador e do motorista, a indenização será de R$ 29 mil.Paulo Roberto dos Santos disse também que, depois de concluído o resgate dos corpos das vítimas, os parentes deverão se reunir com os assessores jurídicos da Transcooper para receber orientação sobre a cobrança de indenização do Consórcio Via Amarela, responsável pela obra.Marli Aparecida Leite, irmã do motorista de caminhão Francisco Sabino Torres, que trabalhava para a Via Amarela e cujo corpo foi resgatado nesta quarta dos escombros, disse que a família já está praticamente sem forças, porque não saiu do local desde as 16 horas de sexta-feira, acompanhando as buscas. "Deus deu esse propósito para a gente passar. Por isso, a gente tem força para passar", afirmou Marli.Colaboraram Leda Letra e Fabiana MarcheziCom Agência Brasil

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.