Resgate em Mariana usa até drone; lama atrapalha trabalho

Exército atua em conjunto com equipes estaduais e municipais; desalojados só chegaram a distrito vizinho no meio da manhã

Bruno Ribeiro, ENVIADO ESPECIAL

06 Novembro 2015 | 22h00

MARIANA - Sem acessos por terra e isoladas pela lama, as equipes de resgate envolvidas no auxílio às vítimas do acidente em Mariana (MG) usaram principalmente helicópteros para chegar às centenas de pessoas que ficaram ilhadas após a onda de lama que varreu o distrito de Bento Rodrigues. Em terra, o maquinário pesado tinha dificuldade de liberar caminhos nas estradas soterradas e bombeiros chegaram a usar um drone para socorrer as vítimas.

“Quando veio o estrondo e começou a correria, ficou todo mundo gritando, entrando em carros de qualquer jeito, indo para o alto, onde fica a igreja”, conta a dona de casa Alexleila Pinto, de 28 anos. “Depois, o povo ficou totalmente no escuro, sem ter para onde ir, esperando alguém chegar.”

Escola. A dona de casa conta que uma das maiores angústias entre os moradores foi em relação à escola da cidade, que atende cerca de 70 crianças. “Tinha mãe que chorava muito sem ter como chegar lá. Mas depois souberam que dois professores fizeram todo mundo correr para o mato.”

Bombeiros empenhados no socorro tiveram dificuldade de chegar às pessoas isoladas porque a lama, segundo os relatos, portava-se como areia movediça. Conforme os tratores iam tirando o grosso do material na única estrada de acesso ao vilarejo, a ajuda pôde avançar, quase perto do nascer do sol.

A maior parte das cerca de 500 pessoas que tiveram de receber ajuda para sair do vilarejo só conseguiu chegar a distritos vizinhos ou no centro de Mariana no meio da manhã desta sexta-feira, 6. “Ainda estamos cadastrando as pessoas para tentar fazer com que parentes se encontrem. As pessoas se perderam. Também estamos fazendo isso para recolher informações de gente que possa estar de fato desaparecida, soterrada”, disse o coronel Luiz Gualberto, bombeiro que comanda a Defesa Civil Estadual.

Conforme eram resgatadas, as pessoas foram levadas para a Arena Mariana, ginásio poliesportivo na sede do município. “Elas estavam muito desorientadas, em choque. Algumas tinham engolido a lama da barragem, então tinham náuseas. Mas quase ninguém estava com ferimentos sérios, apenas exaustos”, disse a enfermeira da prefeitura Mayara Cristiane Carneiro Vasconcelos. 

Esse movimento começou ainda na noite de quinta e durou até o começo da tarde desta sexta-feira. O local também serviu de base para a coleta de donativos (mais informações nesta página). Foram tantas as doações que chegaram que, após o almoço, a prefeitura passou a pedir nas emissoras de rádio locais que não fossem feitas mais doações. 

Barra Longa. No começo da noite, equipes da Defesa Civil começaram a reforçar o efetivo de ajuda ao município vizinho, Barra Longa, onde ainda havia relatos de pessoas ilhadas. 

Como parte do plano de contingência, a Samarco passou, ainda na tarde desta sexta, a acomodar as vítimas desabrigadas em hotéis da cidade. Em um desses locais, o balconista orientava os antigos hóspedes, que já estavam instalados antes da chegada das vítimas. “Seu café de amanhã vai ser em outro lugar, no segundo andar. No primeiro, vão servir os desabrigados. A Samarco falou para dar um café mais simples.”

Autoridades. Por determinação da presidente Dilma Rousseff, o ministro Gilberto Occhi, da Integração Nacional, está desde a manhã desta sexta na região de Mariana, verificando medidas que podem ser tomadas para amenizar os problemas para a população atingida.

Equipes do Exército e da Defesa Civil Nacional estão atuando em conjunto com a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de Minas Gerais no recebimento de mantimentos e roupas para os desabrigados. A Força Nacional também foi colocada de prontidão.

 

Mais conteúdo sobre:
Bento RodriguesSamarcoMariana

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.