Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Lama da Samarco forma mancha marrom no mar

A onda de rejeitos da Samarco invade o oceano na costa do Espírito Santo; água barrenta chegou no último sábado, 21

Herton Escobar, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2015 | 17h21

LINHARES (ES) - A onda de lama da Samarco chegou com tudo ao oceano hoje, formando uma enorme mancha marrom que se projeta da foz do Rio Doce quilômetros mar adentro. Uma pluma inicial de água barrenta já havia atingido a costa ontem à tarde, mas a mancha agora é muito mais densa, com uma aparência que lembra leite achocolatado.

Às 16h de hoje, a lama já se esparramava alguns quilômetros para o norte e para o sul, partindo do distrito de Regência, município de Linhares. A previsão do Ministério do Meio Ambiente, baseada em modelos de dispersão produzidos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), é de que a mancha de rejeitos atingiria 9 quilômetros de costa, mas técnicos e outros estudiosos que acompanham os eventos no campo consideram essa previsão extremamente conservadora. 

Pesquisadores alertam que a lama, independentemente de ser tóxica ou não, vai impactar profundamente todos os ecossistemas continentais e oceânicos por onde passar. Hoje mesmo, pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) já estavam recolhendo peixes mortos na foz do rio. Analisando os animais manualmente, era possível ver claramente que suas guelras estavam impregnadas de lama. Mesmo com os níveis de oxigênio da água dentro do normal, esse “entupimento” das brânquias impede os peixes de respirar e eles morrem asfixiados.

A maioria dos peixes recolhidos era da espécie popularmente conhecida como mandi. É um peixe de água doce que normalmente não se aproxima da foz, pois é sensível à salinidade, mas que provavelmente desceu o rio fugindo do avanço da lama.

A praia de Regência é um importante local de desova de tartarugas-marinhas, incluindo a tartaruga-de-couro, espécie criticamente ameaçada de extinção. Para piorar a situação, a lama chegou justamente na época de desova. Membros do Projeto Tamar, que tem uma base no local, vêm removendo diariamente os ovos colocados por tartarugas na praia. 

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