MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Lama das barragens de Mariana poderá chegar ao mar na terça-feira

Órgão técnico afirma que os dejetos alcançarão Linhares, no Espírito Santo; hidrelétrica de Rio Doce foi desligada

Leonardo Augusto, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2015 | 11h10

Belo Horizonte - A lama das duas barragens da empresa de mineração Samarco que se romperam no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, poderá chegar ao mar na terça-feira, 9. Conforme relatório de monitoramento divulgado pela Câmara Técnica de Gestão de Gestão de Eventos Críticos (CTGEC) do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce), afirma que os dejetos alcançarão Linhares, no Espírito Santo, na noite de 9 para 10 de novembro. A cerca de 60 quilômetros de Linhares, por estrada de rodagem, está o distrito de Regência, onde o Rio Doce desemboca no mar. 

Na tarde deste sábado, 7, a lama, ainda conforme o relatório, deverá chegar a Belo Oriente, Leste de Minas, a 154 quilômetros de Mariana. Conforme o CTCEC, "a natureza do resíduo em questão implica em prováveis alterações temporárias nas características da água bruta, especialmente com relação a parâmetros de turbidez, cor, entre outros. De acordo com informações preliminares repassadas pela Samarco, o rejeito é composto, em sua maior parte, por sílica (areia) proveniente do beneficiamento do minério de ferro. Estamos acompanhando e aguardando o resultado das análises de água e sedimentos que estão sendo realizadas na região afetada".

Hidrelétrica. A hidrelétrica Candonga, localizada entre os municípios de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, foi desligada por causa da lama que vazou do rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana. A usina tem como sócia a Vale, que também é dona da Samarco. A planta fica no Rio Doce, atingido pelos dejetos, e tem capacidade para gerar 140 megawatts, energia suficiente para abastecer uma cidade com 450 mil habitantes. Outra integrante do consórcio é a Cemig, responsável pelo atendimento de cerca de 33 milhões de pessoas em 805 municípios em Minas e Rio de Janeiro

Em nota, a hidrelétrica informa que "devido ao aumento da vazão de água no rio, a usina acionou imediatamente o seu plano de emergência e está liberando a água do reservatório, de maneira controlada, regulando o nível dentro dos padrões normais operacionais". Até a entrada do rio no Espírito Santo, onde deságua, estão localizadas ainda as hidrelétricas de Baguari, em Governador Valadares, com capacidade para 140 megawatts, e Aimorés, na cidade de mesmo nome, com capacidade para 330 megawatts.

Cenário. O risco de rompimento das barragens do Fundão e Santarém da mineradora Samarco em Mariana (MG) foi alvo de alerta em 2013 pelo Instituto Prístino, instituição particular sem fins lucrativos que realizou um estudo na região a pedido do Ministério Público Estadual (MPE).

Análises do Serviço Geológico do Brasil indicam a possibilidade de os rejeitos de minério chegarem ao Espírito Santo nas próximas 48 horas. É possível que a enxurrada de lama já tenha atingido afluentes do Rio Doce, 100 quilômetros longe de Mariana.

A lama lançada dos reservatórios deixou cerca de 300 famílias desabrigadas. Três distritos de Mariana foram atingidos – Camargos, Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues –, além da cidade de Barra Longa. Pelo menos 500 pessoas tiveram de ser resgatadas só de Bento Rodrigues, que fica mais perto da mina da Samarco, segundo balanço divulgado ontem.

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