Lama de barragem avança e interdita praias no Espírito Santo

Regência e Povoação, no município de Linhares, foram fechadas. Água foi coletada para análise

LUCIANA ALMEIDA, Especial para O Estado

24 Novembro 2015 | 19h20

VITÓRIA - A lama da barragem da Samarco que chegou ao litoral do Espírito Santo fez com que o município de Linhares interditasse duas praias da região da foz do Rio Doce: Regência e Povoação. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Rodrigo Paneto, a medida foi adotada de forma preventiva. "Fizemos a coleta da água para realizar a análise, mas, até o resultado, vamos manter a cautela e as praias ficam interditadas".

Segundo ele, a lama avançou 15 quilômetros ao norte, 7 km ao sul e 12 km para dentro do oceano. "Há previsão de que tenhamos um vento nordeste, o que pode levar os sedimentos mais ao sul", afirmou.

Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que esteve na cidade na última segunda-feira, disse que a parte mais concentrada e grossa dos sedimentos ficou em extensão menor: 5 km ao norte, 1 km ao sul e 1 km em direção ao mar. 

Na semana passada, ela havia afirmado que a lama atingiria um raio de nove quilômetros, após estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "É preciso observar o impacto da dispersão, se é da lama ou se é do sedimento que está diluído. O sedimento mais leve vai dispersar. O monitoramento está sendo feito", afirmou.

Segundo o professor de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Alex Cardoso Bastos, a mudança no vento vai alterar a direção para onde a lama está sendo transportada. "A barra norte foi aberta e isso também favoreceu o transporte desses sedimentos para aquela região", explicou.

Ele descartou, no entanto, a possibilidade de que os rejeitos cheguem ao Arquipélago de Abrolhos, na Bahia, e afirmou que a possibilidade é remota de que chegue ao litoral da Grande Vitória, como afirmado por técnicos.  

"A possibilidade de chegar a Vitória é pequena. Nos modelos que trabalhamos, os sedimentos do Rio Doce não chegam à Barra do Riacho e não há evidência de sedimentos em Piraqueaçu, mesmo quando há grandes cheias".

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