Lama de barragem de Brumadinho já percorreu 100 km

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Lama de barragem de Brumadinho já percorreu 100 km

Onda de rejeitos desce a uma velocidade de 1km/h e deve alcançar o reservatório da refinaria de Três Marias

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 21h42

Levantamento realizado pela consultoria Ramboll indica que a lama da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, já percorreu cerca de 100 quilômetros. Pelos cálculos da consultoria, a Lama está descendo a uma velocidade de 1km/h, mais lentamente do que no vazamento de Mariana, ocorrido em 2015.

Com base em informações de dezenas de nanossatélites, a equipe de geosoluções da consultoria estima que a lama deverá alcançar o reservatório da Usina de Três Marias, que fica a 340 quilômetros do local do acidente. Isso significa, necessariamente, que a lama deve ultrapassar a barreira do reservatório de Retiro Baixo.

Diferentemente de Mariana, a lama de Brumadinho desce mais lentamente porque ela está mais densa. No primeiro episódio, uma segunda barragem - de água - também se rompeu, fazendo com que a lama se diluísse e ampliasse a área atingida. 

Monitoramento

A Vale informou agora que instalou 45 pontos de monitoramento de água entre o Rio Paraopeba e a foz do São Francisco. Além disso, segundo a Vale, o sistema de captação de água de Pará de Minas, que está a 115 quilômetros da barragem, no Rio Paraopeba, será protegido por três barreiras de retenção. A aplicação de floculantes, produto químico usado para aglutinar partículas finas que facilita a retirada do material, não está descartada, mas depende da aprovação dos órgãos ambientais.

As medidas fazem parte do plano da companhia para conter os rejeitos que vazaram da barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na sexta-feira. A companhia dividiu a área impactada em três trechos. O primeiro tem 10 quilômetros de extensão e considera o entorno da barragem. Nele serão construídos diques para reter os rejeitos grossos e pesados.  

Um segundo trecho, entre Brumadinho e Juatuba, tem cerca de 30 quilômetros. Segundo a companhia, nessa área, está concentrado o material fino (silte e argila), que será dragado e acondicionado para destinação adequada.

O trecho 3, entre Juatuba e a Usina de Retiro Baixo, tem 170 quilômetros e potencial para sedimentos ultrafinos. Nessa área, a empresa deverá instalar membrana com objetivo de reter os sedimentos, mas não está descartada a possibilidade de usar floculante.

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