Lama de barragem em MG pode assorear rios, diz especialista

Rejeitos da produção de minério não são tóxicos, mas produto deve ser lançado nos cursos de água abaixo do local da tragédia

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

06 Novembro 2015 | 22h35

O rompimento das barragens no município de Mariana, em Minas Gerais, nesta quinta-feira, 5, poderá impactar os rios da região. De acordo com Hernani de Lima, engenheiro de minas e especialista em meio ambiente da Universidade Federal de Ouro Preto, os rejeitos da produção de ferro não são tóxicos, mas podem causar impactos ambientais importantes nos rios.

"O produto da mineração do ferro é água e sílica - que é semelhante à areia de praia - formando um resíduo com consistência de lama. Não há nenhum produto tóxico adicionado ali. No entanto, uma grande quantidade dessa lama deverá ser lançada nos cursos de água abaixo do local da tragédia. Isso poderá causar um forte assoreamento dos rios. O soterramento da vegetação também terá impactos importantes na fauna local", explicou.

O minério de ferro utilizado pela empresa, segundo Lima, tem um teor de ferro de até 46% - uma proporção que não atende ao mercado. Depois de um processo de moagem, para retirada das partículas de sílica, o teor de ferro chega a até 67%. 

"O rejeito é um material sem valor comercial que é descartado nesse processo de concentração do ferro. A função da barragem é ambiental: ela serve para que essa areia não seja lançada diretamente no meio ambiente, para não assorear os rios. Portanto, com o rompimento da barragem, o principal impacto ambiental é físico e não químico. O perigo de contaminação é zero", declarou.

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