Lançameto de lei contra fome vira palco para elogios a Lula

A cerimônia de sanção da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional transformou o segundo andar do Palácio do Planalto num palco de elogios à política social do governo Luiz Inácio Lula da Silva e críticas aos anteriores, nesta sexta-feira, 15. O presidente chegou a ser aplaudido de pé no momento em que sancionava a lei, aprovada em tempo recorde pelo Congresso, sem nem sequer passar pelos plenários da Câmara e do Senado. Isso é possível quando uma proposta é apreciada apenas pelas comissões.Lula disse que um dos grandes problemas do Brasil é que o País adquiriu o hábito cultural de ser governado para 30% da população. "Não foram poucos os governantes que afirmaram que o Brasil teria que ser governado para quem tem poder de pressão, para quem tem poder de organização. Essa parcela de que estamos falando (os pobres), lamentavelmente, durante décadas e décadas não teve esse poder de organização. Então, cabe, como coube a nós, ao Estado brasileiro, se autodefinir como gestor dos interesses da sociedade e não como gestor dos interesses dos governantes", disse Lula.O presidente agradeceu a rapidez do Congresso na aprovação da lei. "O Congresso Nacional teve a sensibilidade de aprovar a lei, mesmo no ano eleitoral, de forma unânime e ágil", agradeceu Lula. Ele afirmou ainda que agradecerá a Deus se tiver a oportunidade de, ainda em vida, presenciar o momento em que o Estado assumirá toda a responsabilidade pela segurança alimentar. Participaram da cerimônia convidados de todo o Brasil que integram conselhos de segurança alimentar, com especial destaque para a socióloga Ana Maria de Castro, filha do escritor e político Josué de Castro, que em 1946 escreveu o clássico "Geografia da Fome". Lula disse que leu esse livro no primeiro ano de sua administração como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, ainda nos anos 70.Lula completou seu discurso ao dizer que graças à convergência da vontade nacional, "a nutrição e o combate à fome assumem hoje o caráter de uma política perene no Brasil, evitando-se, assim, a descontinuidade administrativa numa área de crucial interesse de toda a sociedade. Não pode depender do ânimo deste ou daquele governante. A fome não é algo relativo. Seu enfrentamento é um dever da sociedade civil e de todos os entes da Federação", arrematou.

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