?Laranja? suspeita que ?sócio? na Lavicen seja fraude

O sapateiro Lavino Kill, "laranja" da Lavicen Construções e Locação de Máquinas e Terraplanagem, empresa fantasma que recebeu milhões de reais durante as obras do túnel Ayrton Senna, em São Paulo, suspeita que o seu "sócio" na empresa, Joel Gonçalves Pereira, não passa de um "laranja" como ele "ou talvez seja uma pessoa que nem sequer exista".Kill, que vive em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba (PR), contestou hoje, por telefone para a Agência Estado, detalhes do depoimento que o procurador da Lavicen, Francisco Sacerdote, prestou para o Ministério Público do Paraná, na semana passada. Sacerdote foi intimado a depor em Curitiba, por carta precatória do Ministério Público de São Paulo, que investiga supostos desvios de verbas durante as obras do Ayrton Senna.Em seu depoimento, Sacerdote disse que sempre atuou como procurador da Lavicen e que todos os pagamentos que a empresa recebia eram repassados para Pereira. Disse também que Pereira era genro de Kill. "Nunca tive genro com este nome, é um absurdo", afirmou Kill.Kill disse que procura "este tal de Joel Pereira" desde que o nome deles foi envolvido nas investigações da Lavicen. "Todos os telefones e endereços dele que apareceram na Justiça nunca existiram", acusou Kill.A Lavicen era sub-contratada pela construtora CBPO para trabalhar nas obras do túnel Ayrton Senna. Em apenas uma das planilhas que estão sendo investigadas pelo Ministério Público, relativa ao mês de maio de 96, recebeu mais de R$ 1,5 milhões pela "locação de máquinas".Quando o Ministério Público começou a investigar a Lavicen, descobriu que a empresa nunca teve máquinas para locar e que funcionava num endereço "fantasma" na cidade de Abatiá, no Paraná. Descobriu também que o nome de Lavino Kill fora utilizado para a montagem da empresa, com falsificações grosseiras de sua assinatura no contrato social. Kill, semi-analfabeto, nunca soube da existência da Lavicen até que o Ministério Público começou a investigá-lo.O Ministério Público de São Paulo expediu esta semana cartas precatórias para que o Ministério Público do Paraná procure Pereira e o convoque a depor. Até hoje, Pereira ainda não havia sido localizado. O MP apurou que o CIC de Pereira foi cancelado em 1999, já que ele não se recadastrou na Receita Federal.A CBPO tem reafirmado que só se pronunciará em juízo, "uma vez que a questão envolve muitos detalhes técnicos". "A Lavicen (foi) uma das diversas locadoras utilizadas por este consórcio em suas obras, como normalmente ocorre em quaisquer obras de grande porte. (...) Os pagamentos a ela (Lavicen) efetuados representam menos de 1% do valor das obras, não havendo nenhuma relação entre esses pagamentos e o contrato com a Prefeitura", afirmou a CBPO em nota a imprensa.

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