Largar o cigarro sem ajuda de remédios é muito mais difícil

Pesquisa da Santa Casa de Misericórdia do Rio fez uma pesquisa para traçar o perfil do fumante que procura ajuda na instituição. A conclusão é de que, sem ajuda de medicamentos complementares, é muito mais difícil largar o cigarro. Dos 538 pacientes ouvidos, 81,9% disseram estar bastante motivados (50,7%) ou motivados (31,2%) a parar de fumar. Deste universo, porém 470 pessoas já haviam tentado limitar ou parar com o hábito alguma vez na vida, mas apenas 77 conseguiram deixar de fumar por mais de cinco dias - um porcentual de apenas 16,3%. Outros 99 pacientes (21%) sequer passaram do primeiro dia de abstinência."Isso sugere a importância dos primeiros dias sem o cigarro para a consolidação da abstinência", diz a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do Departamento de Dependência de Nicotina da Santa Casa e coordenadora do estudo. "Toda a mudança é um processo e leva um tempo para ser assimilada. Uma coisa é a pessoa desejar parar de fumar, outra coisa, muito mais difícil, é realizar este desejo." A abstinência é a prova de fogo do fumante que quer largar o vício. A pesquisa mostra que os três principais sintomas mais sentidos nessa fase são a ansiedade (57%), irritabilidade (48,3%) e inquietação (48%)."Os sintomas da crise de abstinência só começam a ser superados a partir do terceiro mês de tratamento. Neste período, sem o uso de chicletes e adesivos de nicotina e medicamentos que inibem a vontade de fumar dificilmente o paciente conseguirá superar o vício", explica Analice. Segundo a psiquiatra, essa receita vale tanto para pessoas que consomem dois cigarros, quanto para os que fumam dois maços por dia."Medir o vício de uma pessoa pela quantidade é uma lenda. Se não houver uso de medicamentos complementares, certamente o paciente terá uma recaída", afirma a especialista, que atende na Santa Casa cerca de 150 pessoas por mês. O tratamento, que custa R$ 20, dura 90 dias.A maioria dos pacientes(81%) que procurou ajuda da equipe da psiquiatra na época da pesquisa fumava, em média, até um maço e meio por dia, entre 16 e 30 cigarros. Os fumantes disseram ainda estar conscientes do incômodo que provocam aos não-fumantes. Entre os entrevistados, 62,4% disseram não fumar na casa de pessoas que não fumam, 50,7% declarara evitar fumar no carro de outras pessoas e 31,8% revelaram não fumar no próprio veículo quando na presença de não-fumantes.Comemorações - A pesquisa será usada durante as comemorações do Dia Mundial Sem Cigarro, dia 30. No Brasil, seis Estados estão organizando atividades no domingo, 27, para lembrar a data. No Rio, haverá uma corrida de oito quilômetros, entre Leblon e Copacabana, na zona sul, com a participação de 500 atletas. Durante o trajeto, serão montadas quatro tendas da saúde, com atendimentos médicos, medição do nível de nicotina e aplicação do teste de Fagrestron, que mede o nível de dependência ao cigarro. Em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília e Salvador também haverá caminhada em apoio ao Dia Mundial Sem Cigarro.

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