Largo da Concórdia, no Brás, começa a ganhar novo visual

Depois da reforma, o início dos resultados. O Largo da Concórdia, que vinha sendo usado há 16 anos como camelódromo, passou por um processo de revitalização que demorou um ano, iniciado em dezembro de 2005, e começa a ter um novo visual. Em uma iniciativa de parceria entre a Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), lojistas do bairro e a Subprefeitura da Mooca, o Largo da Concórdia recebeu investimento de R$ 1 milhão para ganhar esta nova cara. Os lojistas bancaram um quarto desse montante. Os resultados já podem ser conferidos por quem passa pelo local. O calçadão foi totalmente recuperado e sua área, com 10 mil metros quadrados, ganhou novos pisos. Foram implantados canteiros ajardinados, com flores e árvores, criando um novo paisagismo no local. Também foram construídos banheiros públicos. As fachadas do comércio foram recuperadas, o que contribuiu para a despoluição visual, e foram instalados 48 novos pontos de iluminação no local. A parte de construção - pavimento e recuperação da área - já foi entregue em dezembro de 2006, e agora cuida-se da parte de paisagismo e também da colocação de bancos. O Largo da Concórdia fica próximo à estação de metrô Brás/Roosevelt, no bairro do Brás, na capital paulista, reduto tradicional de lojas de vestuário popular, que recebe em média 300 mil pessoas por dia. Calçadão Desde sua criação, em 1840, o Largo da Concórdia era a única praça do Brás e foi projetada para ser um calçadão para circulação de pedestres. Em função da estação de trem e do forte comércio têxtil concentrado no bairro, a região recebe compradores de todo Brasil. Durante os últimos 16 anos, entretanto, o calçadão estava tomado por barracas, onde estavam instalados cerca de 800 camelôs. Assim, a arquitetura da praça ficou escondida embaixo do emaranhado de lonas azuis que tomou conta do local. O Brás é também um dos bairros mais antigos da cidade de São Paulo e já era centro de concentração multicultural no início do século 20, como retrata Alcântara Machado em seu famoso clássico literário Brás, Bexiga e Barra Funda. Foi no Brás que o futebol começou a ser jogado no Brasil. Lá também moraram - e ainda moram - imigrantes italianos, gregos, libaneses, coreanos e bolivianos, que dão ao bairro a diversidade de estilos que o marca. Não por acaso, o diretor Cao Hamburger retratou o bairro multicultural e o futebol para falar, de forma lírica, sobre uma época sombria da história da ditadura brasileira, no longa-metragem O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, lançado no fim de 2006 e que compete no renomado Festival de Berlim. O festival cinematográfico ocorre na cidade alemã de 8 a 18 de fevereiro. Faturamento Com 6 mil lojas, sendo 4 mil de fabricantes de roupas e peças jeans, o faturamento anual do Brás chega a R$ 7,5 bilhões por ano. Só para se ter uma idéia, são produzidos 10 milhões de peças jeans por mês no bairro. Segundo dados da Alobrás, as fábricas e lojas de roupas ali instaladas são responsáveis pela geração de 150 mil empregos diretos e 250 mil indiretos. Somente na época do Natal, a região chega a receber 500 mil pessoas por dia.

Agencia Estado,

02 Fevereiro 2007 | 15h02

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