Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Laudo aponta falha em instalação de ar-condicionado em incêndio no Museu Nacional

Conclusão dos peritos servirá para embasar inquérito da PF para apontar possíveis responsáveis, que poderão responder criminalmente

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2019 | 13h35

RIO - A Polícia Federal (PF) apresentou na manhã desta quinta-feira, 4, o laudo sobre a investigação do incêndio no Museu Nacional, ocorrido em setembro do ano passado e que consumiu a maior parte do acervo de 12 mil peças da instituição localizada na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro

Como antecipado pelo Estado no mês passado, a causa mais provável para o início do fogo foi um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado instalado no auditório localizado no térreo da edificação. A conclusão dos peritos servirá para embasar inquérito da PF para apontar possíveis responsáveis, que poderão responder criminalmente.

Nos dias que se seguiram ao incêndio, uma equipe formada por três peritos especializados em incêndio, dois em local de crime e dois em audiovisual e fotogrametria atuaram diretamente no museu para colher evidências, além de outros que trabalharam posteriormente para análise do material. Foi descartado incêndio criminoso ou mesmo a queda de um balão, sendo que “a causa mais provável”, segundo a PF, foi um curto num ar-condicionado. O aparelho estaria funcionando sem respeitar as normas do fabricante.

Segundo os peritos, nem todas as câmeras de monitoramento do museu estavam funcionando, sendo que nenhuma delas registrou o foco inicial do incêndio. Mas imagens captadas por alguns dos equipamentos e outras feitas por câmeras externas ou mesmo fotografias postadas na internet permitiram que os investigadores estudassem a dinâmica do fogo, concluindo que ele se iniciou no auditório localizado no térreo.

O local possuía equipamentos de som, projetor de imagem e três aparelhos de ar-condicionado. E foi em um deles que, segundo os peritos, o incêndio se iniciou. De acordo com os técnicos, o aparelho tinha “deficiências na instalação”.

“A gente não conseguiu identificar uma causa única, foram várias situações”, disse o perito Marco Antônio Zatta. “Deveria ter um disjuntor para cada ar-condicionado. Havia um para os três. Não estava seguindo a recomendação do fabricante”, pontuou. “A questão do aterramento é outro motivo. Ele havia sido feito na parte externa, mas não na interna. Foi feito pela metade.”

A partir da conclusão dos peritos, a Polícia Federal tentará apontar os responsáveis. Eles poderão responder por incêndio culposo ou até mesmo doloso, mas não há previsão para conclusão do inquérito. “Ainda temos diligências em andamento”, limitou-se a dizer o delegado Paulo Teles.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.