Laudo culpa 2 por choque de trens

Operador e maquinista descumpriram manual de segurança, diz empresa

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2011 | 00h00

Falhas humanas causaram o acidente entre dois trens que deixou 8 mortos e 101 feridos em Austin (Nova Iguaçu), na Baixada Fluminense, no dia 30, segundo relatório de investigação da concessionária Supervia. O laudo aponta cinco erros cometidos por um controlador e pelo maquinista do trem de passageiros, que desrespeitaram o manual de procedimentos de segurança da empresa.   Mais informações no site O primeiro equívoco, diz o laudo, foi do controlador que trabalha no Centro Operacional da Supervia. Ele deveria impedir que o trem de passageiros saísse da Estação de Comendador Soares. A composição deveria ficar parada, esperando uma manobra do trem de cargas na estação seguinte. A segunda falha foi a alta velocidade mantida pelo maquinista do trem de passageiros. Ele viajava a 76 km/h, quando a velocidade máxima permitida na via é de 60 km/h. Em seguida, o maquinista ultrapassou um sinal amarelo sem reduzir a velocidade, como é a regra. Na seqüência, o controlador, apesar de observar os dois erros do condutor, manteve a autorização para o maquinista do trem de cargas fazer a manobra (mudar de linha). Por fim, o maquinista do trem de passageiros ultrapassou o sinal vermelho. Mas neste ponto, segundo os técnicos da concessionária, não haveria mais tempo de frear, uma vez que a distância era de apenas 60 metros entre as duas composições. Mesmo assim, segundo o relatório, o trem de passageiros chegou a reduzir a velocidade para 36 km/h, quando bateu. FATALIDADE Segundo o diretor da Supervia, Amin Murad, não há como definir um erro como sendo o principal e o acidente foi uma ''''fatalidade''''. Amanhã, haverá uma reunião para decidir o destino dos funcionários apontados como os culpados. Nem o maquinista nem o controlador foram encontrados pelo Estado para comentar o relatório. O relatório da empresa já chegou às mãos do delegado Fábio Pacífico,da 58ª Delegacia de Polícia, que investiga o acidente. ''''O que eu quero saber é se essas falhas foram cometidas por conta de rotinas erradas de trabalho, o que poderia, na Justiça, até levá-los à absolvição'''', explicou Pacífico. Integrantes do Sindicato dos Ferroviários reclamam da rotina de serviço da Supervia, que levaria maquinistas a conduzir os trens em velocidades acima da permitida. A concessionária nega. Segundo o delegado, o laudo da Supervia já foi encaminhado ao Instituto Carlos Éboli. Ele espera finalizar a investigação até o fim do mês. Murad informou ainda que a concessionária já fez acordos para pagamento de indenização a três famílias - uma de um passageiro morto e duas de feridos. Os valores não foram revelados. Há reuniões marcadas com mais 40 famílias.

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