Laudo elimina tese de que estudante se feriu ao ser preso

O laudo cadavérico do estudante Rômulo Batista de Melo, de 21 anos, morto com traumatismo cranioencefálico e hemorragia intracraniana em 27 de janeiro, após ficar seis dias presos na delegacia de Cabo Frio, na Região dos Lagos, revelou que as lesões foram provocadas no período de 24 horas antes do óbito. Segundo a polícia, o laudo, que foi divulgado hoje pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), elimina a hipótese de que Melo se feriu gravemente no momento da prisão, quando teria resistido em ir para a delegacia e teve que ser imobilizado. ?Havia a dúvida se, à época da prisão, o Rômulo teria se debatido, já que seis pessoas tiveram que contê-lo, algemando eamarrando suas pernas. Foi quando a lesão do crânio teria sido provocada, mas essa hipótese foi excluída. A necropsia revelouque a lesão ocorreu dentro das 24 horas que antecederam a morte.?, disse o coordenador de polícia técnica, Roger Ancillotti.Apesar disso, a polícia informou que ainda não é possível saber se o rapaz foi torturado ou se ele próprio se machucou. Ontem à noite, peritos do Instituto Carlos Éboli fizeram uma perícia no carro da delegacia que levava o estudante ao Rio.Segundo a assessoria de imprensa da SSP, foram encontradas manchas que podem ser o sangue de Melo, mas o resultado daanálise ainda não havia sido divulgado até o fim da tarde de hoje. O rapaz foi preso no dia 21 de janeiro, após ter roubado um carro. Ele morreu a caminho de um hospital psiquiátrico no Rio, pois suspeitava-se de que sofria de distúrbios mentais. Na manhã de hoje, integrantes da Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana vieram de Brasília para conversar com os pais de Melo. Segundo o deputado Alessandro Molon, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, eles ficaram ?horrorizados? com o caso e prometeram que vão acompanhar as investigações de perto.

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