Laudo indica contaminação em pólo cerâmico de Santa Gertrudes

A suspeita de contaminação de moradores e trabalhadores do pólo cerâmico de Santa Gertrudes, a 165 quilômetros de São Paulo, está sendo investigada pela Direção Regional de Saúde (DIR) 15, de Piracicaba.Um laudo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) confirmou que o lençol freático, os sedimentos de três lagos e o solo do local estão contaminados por metais pesados, usados nos esmaltes de pisos e revestimentos.O pólo cerâmico abriga cerca de 40 fábricas, onde trabalham perto de 3,7 mil funcionários. Nos arredores das olarias vivem 26 pessoas, conforme a diretora da DIR 15, Marizete Medeiros. Ela explicou que a Vigilância Sanitária da DIR vai colher amostras de sangue dos moradores e avaliar os prontuários médicos dos funcionários nas empresas.Caso sejam verificadas alterações do estado de saúde dos funcionários, eles também serão submetidos a exames, conforme Marizete. Ela explicou que a coleta de sangue dos moradores ainda depende da definição de um laboratório que tenha tecnologia para verificar contaminação pelo metal boro. "Não existe nenhum no Brasil", comentou. Não há previsão de quando as avaliações serão concluídas.Além de boro, água e solo estão contaminados com chumbo, níquel e cádmio. Em excesso no organismo, esses metais podem causar de câncer a problemas no sistema nervoso central. A Cetesb confirmou que dois dos 20 poços artesianos do pólo cerâmico estão contaminados com boro. Eles já não eram utilizados pelos moradores, mas foram lacrados pela Vigilância.Os sedimentos dos três lagos também apresentam contaminação. A DIR orientou os moradores para que não consumam os peixes nem usem água dos lagos para irrigação. Marizete explicou que amostras de peixes e de vegetais foram encaminhadas para análise.Outros estudos, como comparação de mortalidade infantil, também estão sendo feitos, disse a diretora. Ela afirmou que há alguns sítios no local, mas a produção de vegetais é toda consumida entre os moradores.O sindicato das empresas ceramistas defendeu que não há perigo de contaminação porque, há 20 anos, os resíduos tóxicos não são mais depositados no local ou lançados na água, mas levados para aterros especializados da região.

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