Laudo indica falha no avião de Herbert

Texto do CTA aponta que má qualidade do material da fuselagem teria contribuído para derrubar aeronave

Marcelo Auler e Márcia Vieira, O Estadao de S.Paulo

11 Outubro 2007 | 00h00

"A justiça está sendo feita." Foi o comentário do cantor Herbert Vianna ao saber, pelo seu pai, o brigadeiro Hermano Vianna, que o laudo assinado por peritos do Centro de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), concluiu que o acidente com o ultraleve do músico, em 2001, pode ter sido causado por problemas técnicos na aeronave. O acidente aconteceu quando Herbert se preparava para pousar com o ultraleve em Mangaratiba, município vizinho ao Rio. Na queda, morreu a mulher do cantor, Lucy. Ele ficou paraplégico, por causa de uma lesão na medula, depois de passar 44 dias internado com traumatismo craniano e hemorragia cerebral. Por conta das insinuações que foram levantadas na época de que o acidente tinha sido causado por imprudência do piloto, a família comemorou. "É um alívio para nossa família porque confirma aquilo que a gente já sabia. Houve uma falha mecânica. Agora vamos aguardar a decisão do juiz", disse o brigadeiro Hermano. O laudo foi anexado ao processo nº 2002.209.008677-7, que tramita na 2ª Vara Cível do Fórum da Barra da Tijuca. Nele, Herbert pede uma indenização por danos morais à Ultraleger Indústria Aeronáutica Ltda, representante no Brasil da empresa alemã W.D. Flugzeugleichtbau GmBH, fabricante da aeronave. O processo teve início depois que o brigadeiro Hermano foi informado que ultraleves idênticos ao do músico haviam sofrido problemas semelhantes e que em cinco casos os pilotos morreram. No mesmo ano em que a ação teve início, 2002, a fábrica alemã convocou os proprietários de ultraleves para um recall, para reforçar a fuselagem da cauda. A convocação ajudou a família a se convencer dos problemas da aeronave. A perícia só pôde ser feita por que o pai do cantor guardou um pedaço da fuselagem. Em exames de laboratório, este pedaço do avião foi submetido a testes em uma estufa e os peritos constataram que "o material apresenta uma significativa degradação com a temperatura a partir de 40 graus". Os técnicos do CTA concluem que "a degradação do material pode ter causado o acidente". Alegam não ser possível "afirmar com certeza que o efeito do aquecimento do material causou o acidente". Mas encerram admitindo "que os indícios são fortes de que a aeronave era problemática do ponto de vista da qualidade do material empregado para compor parte importante (fuselagem) ." Ontem o advogado que defende a empresa, Ivan de Castro Paula Júnior, não quis se manifestar ao alegar que não tinha conhecimento do laudo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.