Laudo indica que bala que matou menino foi disparada por policiais

O laudo de exame cadavérico divulgado nesta terça-feira, 19, pela Polícia Civil indica que o tiro que matou Lorran de Souza Santos, de 9 anos, no Morro do Borel, na Tijuca, Rio, no sábado, 16, partiu do lado esquerdo de onde estava o menino. Segundo testemunhas, a posição era ocupada por policiais militares.O delegado titular da 19.ª Distrito Policial (DP), Orlando Zaccone, responsável pela investigação afirmou, porém, que só será possível concluir quem foi o responsável pelo tiro após confronto balístico dos fragmentos de projétil encontrados nocorpo de Santos com as 22 armas apreendidas - 11 fuzis e 11 pistolas - que estavam com os 11 policiais que participaram da operação na favela. Na ocasião também morreu um cabo da PM. O tiro atingiu o ombro esquerdo do policial, perfurou seu pulmão e saiu pelo mamilo esquerdo. O menino foi baleado no ombro direito A bala causou fratura na mandíbula, na base do crânio e na coluna cervical.Zaccone disse que não está fazendo defesa prévia de ninguém e que, se os policiais erraram, terão que pagar. "Hoje sabemos que o disparo partiu da esquerda para a direita. Avançamos. Agora, faremos o confronto balístico e a reconstituição para encerrar o inquérito." A eventual participação dos policiais de uma prova de reconstituição é um direito deles.Segundo o adelegado, o comando do batalhão da PM confirmou que os policiais participavam de uma operação de combate aotráfico no morro. O delegado disse que "tem relevância" a informação de que os dois policiais que inicialmente teriam entrado em confronto na favela, à frente dos outros nove, estavam sem farda. "Precisamos saber se era uma ação de ataque, em que o dever de cuidado tem de ser observado, ou de defesa, em que o policial atira para se proteger", declarou. Zaccone disse ainda que o fato de um policial eventualmente ter matado uma criança, por si só, não significa responsabilidade penal do PM, caso ele tenha agido em legítima defesa com erro na execução. A responsabilidade civil do Estado, porém, com o pagamento de indenização à família, estaria garantida. Zaccone já ouviu duastestemunhas do crime e dois policiais. Até o fim da semana ele pretende ouvir outros oito PMs.

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