Laudo sobre estupro em faculdade é inconclusivo

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) não apresentou resultados conclusivos sobre a suposta violência sexual contra a estudante de Farmácia T.C., de 18 anos. A jovem afirma ter sido vítima de estupro dentro da Faculdade Oswaldo Cruz, na zona oeste de São Paulo, quando chegava para a aula às 7h35 do dia 28 de fevereiro deste ano. As imagens das câmeras do circuito interno mostram que ela entrou acompanhada de um homem, que 21 minutos depois saiu sozinho do prédio.O laudo foi concluído no fim da semana passada e apresentado ontem pela Faculdade Oswaldo Cruz. O documento não aponta lesões corporais na jovem, embora ela tenha afirmado que sofreu um forte estrangulamento, em seu depoimento no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). Além disso, não há registros de espermatozoides em nenhuma parte de seu corpo. Por isso, a médica legista que assina o laudo informa que não "há elementos de certeza" sobre a violência sexual. No entanto, a vítima apresentou pequenos ferimentos na região do ânus. Segundo o laudo, essas "lesões podem ou não ser compatíveis com atos libidinosos". Juristas ouvidos pelo Estado afirmaram que, em casos de estupro, somente a perícia física não é suficiente para determinar a existência ou não do crime. Por isso, muitos promotores solicitam perícia psicológica da vítima."Em casos de estupro, nós devemos dar grande credibilidade para a palavra da vítima", disse um promotor de justiça que pediu para não ser identificado, pois não é o responsável pelo caso da estudante. "Além de tudo, é um absurdo a instituição divulgar o laudo. Ela (a faculdade) não é a vítima, não é o acusado. É somente o local onde tudo aconteceu e não havia motivos para expor tudo isso", disse.A Polícia Civil ainda busca informações sobre o homem que aparece nas imagens ao lado da vítima. Segundo a estudante, o suspeito estava armado e a obrigou a acompanhá-lo pelos corredores da instituição. Os dois teriam procurado nos corredores por salas abertas, mas não encontraram nenhuma. O suposto estupro teria sido cometido em um dos corredores.

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