Laudos não podem servir para apontar execuções no Alemão, diz especialista

O Sindicato dos Médicos do Rio saiu ontem em defesa dos médicos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) que elaboraram os laudos cadavéricos dos 19 mortos da megaoperação policial no Complexo do Alemão, no mês passado. A pedido do presidente do sindicato, Jorge Darze, o ex-diretor de Polícia Técnica do Rio, Talvane de Moraes, fez uma análise dos laudos, que foram usados por entidades de defesa dos direitos humanos para denunciar supostas execuções na operação. Médico-legista aposentado e professor, Moraes afirmou que os laudos não podem ser usados para se chegar a essa conclusão. ''''O laudo apenas indica a causa médico-legal da morte, não a jurídica. O que vai mostrar se houve ou não execução é a investigação'''', afirmou Moraes. Ele reconheceu que há ''''dois ou três'''' laudos com tiros de curta distância e na nuca, mas frisou que o dado não é conclusivo. O legista afirmou que não há referência a ferimentos de arma branca, hipótese levantada para pelo menos um dos mortos no parecer de um perito independente contratado pelo ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), João Tancredo. O presidente a OAB-RJ, Wadih Damous, deu razão aos médicos. Para ele, as denúncias de execução foram precipitadas e ultrapassaram a cautela que rege as diretrizes da instituição. Por isso, explicou, Tancredo foi afastado anteontem da presidência da comissão de direitos humanos. ''''Tancredo falou sem base técnica e, o pior, em nome da OAB'''', disse. VOZ Em nota, Tancredo reafirmou que quis apenas cumprir o papel da instituição ao dar voz aos moradores ouvidos pela comissão no Alemão e fiscalizar a atuação da polícia. Ontem, uma reunião foi marcada entre os peritos enviados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência e a Polícia Civil do Rio para a discussão de como será o acompanhamento das investigações.

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

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