Laudos raramente indicam internação

Psiquiatra que avalia jovens diz que análise não pode ser ?passional?

O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

O psiquiatra Antônio de Pádua Serafin, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (Nufor) do Hospital das Clínicas, que desde março de 2006 atua na Fundação Casa, aponta falhas no atendimento de jovens em conflito com a lei. Segundo ele, 13,8% dos internos da capital apresentam distúrbios mentais - 3% deles graves.Serafin afirma que, para diminuir as chances de reincidência, o estudo psiquiátrico deve ser feito assim que o adolescente comete o primeiro delito. Ele defende também mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para que jovens com distúrbios mais complexos, como Champinha, tenham prazos de internação mais longos, desde que com acompanhamento médico e psicológico em unidades especiais. Os laudos do Nufor, porém, raramente sugerem a contenção (internação), mesmo no caso de Champinha. São, em geral, mais brandos que as análises do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc). "Não posso fazer laudos passionais", diz Serafin. "Se o adolescente apresenta periculosidade, mas não é caso de internação manicomial, não posso dizer o contrário. Nos exames de ressonância, o cérebro de Champinha está mais intacto do que o meu. Mas ele apresenta outros distúrbios, como retardo leve, imaturidade, agressividade." Para o psiquiatra, o caso é "um desafio". "Mas não nos cabe definir o que a Justiça fará."Para o promotor da Infância e da Juventude Wilson Tafner, "as decisões devem seguir a política antimanicomial do País também para jovens, com a contenção necessária nos casos graves, durante o tratamento, mas prevendo a desinternação gradual e monitorada".

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