Lavradores acampam diante do Incra em Recife

Cerca de 100 trabalhadores rurais ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) acamparam nesta segunda à tarde na calçada do Incra, no Recife, depois de ocupar o órgão no final da manhã, fazendo refém o procurador João Andrade durante duas horas.Munidos de colchões, comida e lona plástica, eles disseram estar dispostos a ficar no local até serem recebidos pelo superintendente regional do Incra, Geraldo Eugênio França, que, por sua vez, diz que só se reunirá depois que eles retornarem aos assentamentos."Não vou ficar à mercê de ameaças de nova ocupação", disse ele, frisando que o Incra está sempre de portas abertas para os trabalhadores, não havendo necessidade deste tipo de atitude.Liderados pelo diretor de política agrária da Fetape, João Santos, os trabalhadores denunciaram a grilagem que estaria ocorrendo numa área de cerca de 400 hectares (de um total de 3 mil hectares) em seis assentamentos nos municípios de Tamandaré e Rio Formoso, na zona da mata, por plantadores de cana da região.Segundo eles, o Incra foi informado da situação há seis meses e até agora nada fez para retirar os grileiros do local. "As terras pertencem ao Incra, e se o órgão não toma uma atitude, está sendo conivente com a grilagem e prejudicando a reforma agrária", afirmou João Santos, ressaltando que os trabalhadores poderão ser vítimas de violência se tentarem sozinhos afastar esses plantadores.Geraldo Eugênio disse que as denúncias estão sendo apuradas e que o que existe na área é divergência entre arrendatários e Incra sobre parte da área dos assentamentos que os plantadores dizem não pertencer ao órgão.Ele informou que se os estudos técnicos que estão sendo realizados mostrarem que a terra é do Incra, será providenciada a saída dos plantadores, seja de comum acordo ou pela via judicial.Segundo o superintendente-adjunto do Incra, Roberto Rodrigues, a demora dos estudos se deve a um número pequeno de funcionários para atender a uma grande demanda dos movimentos que lutam pela terra.Há o agravante de todo o setor responsável pelas vistorias ter aderido à greve dos servidores federais.Os trabalhadores não querem deixar o local sem uma resposta ao seu pedido e frisaram que a calçada pertence ao Recife e não ao Governo Federal, não havendo nenhuma Medida Provisória que os impeça de ficar em uma calçada."É intransigência do superintendente não nos receber", avaliou João Santos.

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