Le Parkour é diversão e adrenalina no concreto da cidade

E se no seu caminho houvesse um muro de cinco metros? O que para a maioria das pessoas significaria um tremendo transtorno, para os praticantes de Parkour é só mais um obstáculo a ser vencido. A semelhança com o francês ´le parcours´ (o percurso) não é em vão. Percorrer um caminho determinado - esteja o que estiver na frente - é o principal o objetivo do Parkour e o que justifica pulos quase suicidas de um telhado para outro, a escalada de muros de toda altura ou a caminhada em um corrimão de poucos centímetros para em seguida dar um mortal e correr para o próximo obstáculo.Mas o que parece atitude de jovens irresponsáveis é uma prática divertida, que veio da França. O psiquiatra Eduardo Bittencourt, um dos fundadores do Le Parkour Brasil, o primeiro grupo do gênero no País, estima que só em São Paulo existam cerca de 2 mil traceurs, a maioria meninos.Não que haja qualquer impedimento. "Na Inglaterra, há um grupo bom de meninas fazendo", conta Eduardo. Aqui no Brasil, o número ainda é tímido, mas qualquer pessoa pode fazer, desde que dentro de seus limites. "Tem gente que chega para se exibir e não consegue, se machuca", conta o estudante de psicologia Jerônimo B. Ribeiro, de 23 anos. Como praticarPara praticar o Parkour, é só começar. Ainda não há academias que ensinem o esporte, portanto, todo traceur ou é autodidata ou aprendeu com quem já faz há mais tempo. Para quem quer aprender sozinho, vale observar vídeos ou adeptos ´in loco´.Mas o pessoal do Le Parkour Brasil aconselha: deve-se começar devagar. Muitas das manobras que se vê os grupos de Parkour fazendo parecem simples, mas levaram anos até serem conquistadas. Na internet, há vários sites com dicas. O melhor está em inglês: www.urbanfreeflow.com.TreinosNão há competições para o Parkour. A academia é a céu aberto: qualquer lugar na cidade pode virar um percurso. A possibilidade basta para transformar o olhar dos aficionados pelo esporte sobre o cenário urbano. "A gente passa mal na rua: fica olhando para tudo e tudo vira obstáculo", diz Jerônimo. Não há estimativa de quantas calorias são queimadas em cada hora de Parkour. Qual o barato então? "Com certeza a satisfação é mental. O lance é quando você fala: consegui fazer, superei", explica Eduardo. Não há dia marcado para praticar. O Le Parkour Brasil costuma se reunir três vezes por semana em treinos que chegam a durar seis horas. O treinamento é feito em níveis mais baixos, a distâncias menores, que aumentam gradativamente.Le Parkour BrasilNo Brasil, o Parkour chegou há um ano e oito meses pela internet. "Vi um vídeo do David Belle fazendo aquilo e quis fazer igual", conta Eduardo. "É tão viciante que, no começo, eu treinava sozinho, passei quase um ano assim", conta.Psicanalista, ele confessa que a flexibilidade de horários também facilitou a prática. "Um vez, saí do escritório entre duas consultas, troquei de roupa e fui tentar fazer um salto", relata.SegurançaOs equipamentos de segurança para a prática são dois: bom senso e autoconhecimento. A pessoa precisa ter noção dos próprios limites, pontua Eduardo. Para escalar paredes ásperas, é aconselhável usar um agasalho. Em saltos mais altos, recomenda-se a joelheira e, para um muro com rachaduras, luvas de proteção para as mãos.O treino na chuva fica mais perigoso. Portanto, só os dia de sol são dias de Parkour para o grupo de Eduardo. Ele conta que a única vez em que se machucou foi assim: caiu de um muro alto que estava molhado. Precaução nunca é demais em um esporte em que o erro pode ser fatal, literalmente.UniformeO uniforme do Parkour é despojado. Calças confortáveis e blusas idem, casacos para enfrentar obstáculos mais ásperos. O tênis deve ser adequado para ginástica, confortável, mas ainda não há um modelo produzido especialmente para o esporte. Um truque revelado pelo Eduardo: colocar a sola de um chinelo de dedo dentro do ´pisante´, para garantir a aderência.HistóriaO Parkour nasceu na França, na década de 80. Há divergências sobre quem teria sido seu criador, já que a autoria é disputada por dois amigos: David Belle e Sébastian Foucan. Os dois treinavam juntos até diferentes formas de ver o Parkour os separarem. Belle preferia os movimentos puros, objetivos, enquanto Foucan defendia que se fizesse arte enquanto praticassem o esporte.Foucan acabou indo para Inglaterra, onde fundou um grupo baseado em suas crenças. O Parkour praticado por eles é chamado de ´free style´. Para a maioria dos traceurs, no entanto, seu verdadeiro criador é David Belle. Ele ficou na França e criou o grupo Yamakasi, conquistando novos praticantes pela Europa. Mas o esporte só se tornou mais conhecido graças a alguns filmes produzidos sobre ele. Luc Besson dirigiu, em 2001, Yamakazi - Os Samurais dos Tempos Modernos. Em seguida, a BBC fez com Belle um comercial. Em 2004, o criador do Parkour estrelou o filme 13º Distrito. Foucan também contribuiu: gravou o documentário Jump London em 2003 e, em 2005, Jump Britain, ambos para o canal inglês Channel 4. VocabulárioTraceur - quem pratica o ParkourVault - quando usam o braço para saltarCat Leap - Pular e ficar pendurado no muro na frenteSalto de precisão - Pular de um lugar muito pequeno para outroBookmarkwww.parkour.net - Site oficial de David Belle www.urbanfreeflow.com - Site oficial do grupo criado por Sébastian Foucan www.leparkourbrasil.com.br - Site oficial do grupo Le Parkour Brasil

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